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EUA dizem que intervenção militar na Venezuela ‘é possível, se necessária’

Segundo a ONG Provea, um venezuelano de 24 anos morreu nos confrontos de ontem em Aragua

Por Da redação Atualizado em 1 Maio 2019, 14h43 - Publicado em 1 Maio 2019, 10h37

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou nesta quarta-feira, 1º, que o governo dos Estados Unidos está preparado, se necessário, para intervir militarmente na Venezuela.

“O presidente (Donald Trump) foi muito claro e incrivelmente consistente. Uma ação militar é possível. Se for necessário, é o que os Estados Unidos vão fazer”, disse Pompeo em entrevista à emissora Fox Business.

Na terça-feira 30, um grupo de militares venezuelanos se rebelou contra o presidente Nicolás Maduro. O episódio resultou em cenas de violência.

“Nós preferimos uma transição pacífica no poder, com a saída de Maduro e a realização de novas eleições, mas o presidente (Trump) foi claro em dizer que em determinados momentos é preciso saber tomar decisões”, declarou Pompeo.

As autoridades americanas lançaram na terça-feira uma ofensiva para aumentar a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro, alternando advertências contra os apoiadores do presidente venezuelano e incitando as autoridades de Caracas a se unirem ao opositor Juan Guaidó.

Confrontos nas ruas

O autoproclamado presidente venezuelano começou o dia ontem anunciando que dispunha de amplo apoio de membros das Forças Armadas e que daria início à última fase do que chamou de Operação Liberdade.

Guaidó intimou todos os cidadãos a saírem às ruas para apoiá-lo e pediu que mais militares se aliassem ao seu governo contra Maduro. A convocação desencadeou um dia de violentos confrontos nas ruas de Caracas entre manifestantes da oposição e forças leais ao regime chavista.

Ao menos 69 pessoas ficaram feridas, sendo 41 delas atingidas por balas de borracha, segundo o Salud Chacao Medical Center, na capital. Um blindado da Guarda Nacional, força fiel a Maduro, avançou sobre uma multidão de manifestantes e atropelou vários deles. Houve disparos de tiros nas ruas, tanto de forças policiais e militares quanto de civis. Ao menos duas pessoas foram levadas a hospitais por terem sido baleadas.

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Segundo a ONG Provea, um venezuelano de 24 anos, identificado como Samuel Enrique Méndez, morreu nos confrontos.

“Lamentamos o assassinato hoje do jovem Samuel Enrique Méndez, de 24 anos, no estado de Aragua, no contexto dos protestos. Testemunhas responsabilizam grupos paramilitares. Enviamos nossas condolências à família e amigos”, disse o Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) no Twitter.

O deputado da oposição, natural do estado de Aragua, José Gregorio Hernández, postou na mesma rede social um vídeo que mostra um grupo de jovens andando por uma rua carregando o corpo do jovem cantando o hino nacional do país.

Segundo o parlamentar, pelo menos 26 pessoas ficaram feridas durante os protestos registrados na cidade de La Victoria (Aragua).

Já Maduro afirmou que cinco militares fiéis ao ser regime ficaram feridos – dois deles estão em estado grave – após serem atingidos por disparos.

Governantes e políticos estrangeiros, entre eles o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, apoiaram a iniciativa de Guaidó. A exceção foi a Rússia, que apontou violência da oposição e classificou o movimento como uma tentativa de golpe contra Maduro.

O governo brasileiro vê a situação no país vizinho com cautela. O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, disse a VEJA que a adesão militar e popular ao presidente autoproclamado da Venezuela não foi expressiva.

Os americanos demoraram a se manifestar, mas no final da tarde o presidente Donald Trump apontou, pelo Twitter, a interferência de Cuba na situação, por meio de apoio militar, e disse que se o regime cubano não saísse da Venezuela, os EUA iriam impor um “embargo total” à ilha caribenha.

Novos protestos contra o governo de Nicolás Maduro estão marcados para esta quarta-feira, 1º. “Bom dia! Hoje, continuamos. Estes são os pontos de concentração para o dia de hoje em Caracas. Seguimos mais fortes do que nunca”, escreveu Guaidó em seu perfil no Twitter, junto com uma relação de locais para os atos de Primeiro de Maio.

(Com AFP e EFE)

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