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EUA devem reavaliar negociações de paz entre Israel e Palestina

Secretário de Estado diz que 'há limites' no tempo e esforços que os EUA podem empregar no processo

Quando os Estados Unidos decidiram apoiar a retomada das negociações de paz entre Israel e Palestina, em agosto do ano passado, o Egito estava em ebulição, idem para a Síria, e a preocupação com a bomba nuclear iraniana estava no ápice. Isso fez com que a cobrança sobre os negociadores fosse menor, o que era um ponto favorável para as conversas. Por insatisfação ou em uma tentativa de pressionar os dois lados a avançar, o governo americano agora fala em reavaliar seu posicionamento nas negociações.

“Há limites para o tempo e os esforços que os EUA podem empregar se as partes não estão empenhadas em seguir adiante”, disse o secretário de Estado John Kerry, durante viagem ao Marrocos. Ele disse que, ao voltar a Washington, avaliará a situação com o presidente Barack Obama. “Os dois lados dizem que querem continuar negociando. Ninguém cancelou sua participação. Mas nós não vamos conversar indefinidamente. Esse não é um esforço ilimitado”, ressaltou.

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Nesta semana, um novo obstáculo aos avanços nas negociações surgiu depois que Israel se recusou a libertar o último grupo de 26 prisioneiros palestinos, como acordado antes do início das conversas. A decisão foi uma resposta à iniciativa da Autoridade Palestina de solicitar adesão a organizações internacionais. Os EUA não foram informados antes de as medidas serem tomadas, informou o jornal The New York Times.

Para alguns críticos, o processo envolvendo Israel e Palestina consome muito tempo do secretário, que deveria voltar sua atenção para outros temas da política externa americana. De fato, em comparação com o período do início das negociações, o cenário atual ainda é de preocupação com as ambições nucleares iranianas, com a instabilidade no Egito, com a sequência do conflito na Síria e com a Ucrânia, que voltou a colocar em pauta as divergências entre EUA e Rússia. Kerry admite que há muitos temas que exigem atenção, mas defende os esforços relacionados à busca pela paz entre israelenses e palestinos dizendo que, em quase nove meses, as partes já reduziram suas diferenças sobre temas importantes.

No atual estágio das negociações, pelo que as partes interessadas dão a entender sigilosamente, Israel já concordou em devolver 90% dos territórios palestinos sobre os quais exerce controle. Em troca, manteria até 80% dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, que vão desde pequenos enclaves fortificados até cidades inteiras. Um indício de que, como Kerry observou, houve avanços é o silêncio do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, depois das críticas violentas que fez aos Estados Unidos pelo acordo com o Irã – que aceitou paralisar suas atividades nucleares em troca da suspensão de sanções impostas ao país.

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Internamente, políticos israelenses veem com desconfiança as negociações com os palestinos. O centrista Yair Lapid, ministro das Finanças israelense, criticou a nova lista de exigências divulgada por uma agência de notícias palestina como condições que seriam apresentadas para garantir a continuidade das negociações. “Isso parece mais uma provocação deliberada com o objetivo de acabar com as conversas”, disse o ministro, cujo partido Yesh Atid apoiou as conversas de paz. As novas exigências incluem o reconhecimento de um Estado palestino com as fronteiras anteriores à guerra de 1967, tendo Jerusalém oriental como capital; a libertação de 1.200 prisioneiros palestinos e o fim das restrições impostas a Gaza.