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EUA denunciam corrupção na polícia de Honduras e perseguição em Venezuela e Cuba

Por Por Diego Urdaneta 24 Maio 2012, 14h36

A polícia hondurenha cometeu graves violações dos direitos humanos em 2011, segundo um relatório anual divulgado nesta quinta-feira pelo governo americano, no qual denunciou a crescente perseguição a opositores na Venezuela e em Cuba.

O governo de Porfirio Lobo “deu importantes passos para fortalecer o respeito aos direitos humanos e promover a reconciliação nacional, assim como para levar a julgamento e punir os oficiais que cometeram abusos”, ressaltou o relatório anual sobre os direitos básicos elaborado pelo departamento de Estado.

“No entanto, a corrupção e a impunidade foram sérios problemas que impediram a eficiência da Polícia Nacional” hondurenha, advertiu o texto.

Em 2011, Honduras registrou o índice de homicídios civis mais alto do mundo, de 82 assassinatos por 100.000 habitantes, com o qual também contribuíram “os assassinatos ilegais” por parte dos agentes da polícia, criticou o texto.

O relatório aponta como exemplo o fato de que no fim de agosto do ano passado as autoridades haviam aberto 455 investigações contra policiais por irregularidades e violações de direitos humanos.

Honduras recebeu em 2011 milhões de dólares em ajuda do governo americano, que também usa uma base militar no país centro-americano para apoiar a luta contra o narcotráfico.

Na Venezuela, o relatório denunciou uma crescente concentração de poder no Executivo e uma perseguição à imprensa.

O governo de Hugo Chávez continuou utilizando o Judiciário para “intimidar e perseguir líderes políticos, sindicais, empresariais e da sociedade civil” que se mostraram críticos.

Sob uma lei aprovada pelo Congresso em dezembro de 2010 que dava a ele poderes especiais para governar por decreto, Chávez promulgou 26 leis, várias das quais restringem os direitos fundamentais econômicos e de propriedade, considerou.

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Os Estados Unidos se mostraram particularmente preocupados com “as ações do governo destinadas a entorpecer a liberdade de expressão e criminalizar a dissidência”.

Washington reconheceu que o governo de Chávez puniu alguns oficiais de baixa patente, “mas nunca houve investigações ou ações judiciais contra funcionários de alto nível frente a denúncias de corrupção ou abusos”.

Outro país onde Washington constatou perseguição à oposição foi Cuba, onde as detenções de dissidentes duplicaram em 2011, com 800 apenas em dezembro, o número mais alto para um mês em 30 anos.

“A maior parte dos abusos contra os direitos humanos foi de atos oficiais cometidos sob a direção do governo, pelos quais os responsáveis gozaram de impunidade”, ressalta o texto.

O governo continuou organizando multidões para intimidar os grupos de oposição, sobretudo as Damas de Branco, indicou Washington.

No México, embora as piores violações aos direitos humanos em 2011 tenham sido cometidas pelas organizações criminosas, as forças de segurança também protagonizaram assassinatos e desaparecimentos, segundo o relatório.

“Supostamente as forças de segurança realizaram assassinatos injustificados, ou desaparecimentos forçados, tortura e abusos físicos”, explicou.

O México registrou mais de 50 mil mortes violentas em pouco mais de cinco anos de luta contra o crime organizado, reconhece o próprio governo, que mobilizou o Exército em todo o país.

Um caso positivo é o da Colômbia, onde, apesar dos enormes desafios e do legado de décadas de violência, “o governo de (Juan Manuel) Santos deu uma série de passos que, em nosso entendimento, estão na direção correta”, disse em uma coletiva de imprensa o subsecretário de Estado para Direitos Humanos, Michael Posner.

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