EUA criam plano para impedir ‘ameaças estrangeiras’ nas eleições de novembro
Memorando assinado pelo secretário Pete Hegseth mira possíveis interferências nos sistemas democráticos
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assinou um memorando que mobiliza o Pentágono a atuar contra “ameaças estrangeiras” nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O documento foi assinado em 22 de setembro e divulgado na segunda-feira, 28.
Segundo o memorando, o Comando Cibernético dos EUA e as Agências de Apoio ao Combate vão trabalhar para identificar, interromper e neutralizar possíveis interferências de “atores estrangeiros” nos sistemas democráticos. Os órgãos devem coletar e produzir informações sobre ameaças ao pleito “dentro dos limites da lei e das normas do departamento”.
“Na América, o povo governa — e precisamos garantir que a voz do povo permaneça soberana, segura e totalmente livre de interferências”, diz o documento. O Comando Cibernético também deve utilizar suas autoridades e competências para “combater possíveis ameaças cibernéticas de atores estrangeiros”, acrescenta o texto.
Hegseth, no entanto, não especificou quem ou quais seriam as possíveis “ameaças estrangeiras” contra as eleições americanas e quais medidas seriam tomadas em caso de comprovação de interferências no sistema eleitoral americano.
Segundo o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, o Comando Cibernético e as equipes de inteligência vão atuar com parceiros federais, estaduais e locais para “expor influências estrangeiras malignas”, sem ferir as liberdades fundamentais dos americanos. “Eleições livres e justas são a base da nossa república”, disse.
Midterms
Plantadas bem no meio de cada mandato presidencial, as midterms podem definir os rumos do governo de Donald Trump. No pleito, a população vai eleger os integrantes do Congresso dos Estados Unidos, tanto para o Senado quanto para a Câmara.
O presidente americano amarga 32% de aprovação, o menor nível de sua carreira política, segundo pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada em setembro. Há queda na aprovação até mesmo entre os republicanos. Atualmente, 73% dos partidários classificam de maneira positiva a gestão de Trump. Em uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada uma semana antes, o índice era de 82%. Entre os fatores para queda na avaliação do atual governo estão os rumos da economia e os impasses na guerra com Irã.
Em meio à baixa popularidade, Trump prometeu pagar US$ 5 mil (mais de R$ 25,5 mil, na cotação atual) a cada cidadão americano adulto caso o Partido Republicano seja bem-sucedido nas eleições de meio de mandato. A proposta extravagante, que custaria mais de US$ 1 trilhão aos cofres públicos (mais de R$ 5 trilhões), imediatamente levantou questões éticas e escancarou a dimensão da preocupação dos republicanos quanto com o pleito de novembro.
“Se os republicanos vencerem, vocês vencem conosco e recebem 5 mil dólares”, disse Trump durante uma fala de quase duas horas em um comício no Texas, na qual também instou os eleitores a “fingirem que estou na cédula”.





