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EUA ‘continuaram a retroceder em direitos’ em 2019, diz relatório mundial

Relatório anual do Observatório dos Direitos Humanos destaca governo de Xi Jinping, na China, como 'ameaça global' aos direitos humanos

Por Da Redação - 15 jan 2020, 17h29

Ao longo de seu terceiro ano de mandato, em 2019, o presidente americano, Donald Trump, levou os Estados Unidos a “continuar a retroceder em direitos”, afirma relatório anual da organização não-governamental Observatório dos Direitos Humanos (HRW) sobre a condição dos direitos humanos em mais de 100 países, divulgado na terça-feira 14. O HRW ressaltou as políticas migratória e externa como destaques negativos do republicano.

“O governo Trump promoveu políticas de imigração desumanas e narrativas falsas que perpetuam o racismo e a discriminação”, afirma o HRW. Além da “traumatizante” política de separação de famílias, implementada já em 2018, os Estados Unidos “firmaram acordos para enviar requerentes de asilo para Honduras, El Salvador e Guatemala, apesar das condições precárias de segurança nesses países”.

Em relação à política externa, a organização criticou Trump por pouco promover os direitos humanos pelo mundo e “continuou a enfraquecer instituições multilaterais”. Em abril, os Estados Unidos pressionaram o Conselho de Segurança das Nações Unidas a não reconhecer o direito de reprodução e de saúde de vítimas de violência sexual em conflitos armados.

Além, a insistência dos Estados Unidos em barrar a nomeação de novos juízes para a Organização Mundial do Comércio (OMC) resultou, em dezembro, na paralisação ainda em vigor do órgão responsável por resolver as disputas comerciais entre os membros da entidade.

Trump “desrespeitou os direitos humanos internacionais e o direito humanitário ao se associar a governos abusivos [como Arábia Saudita e Hungria]”, disse o HRW. Como cita o relatório, com base em reportagem do jornal The Wall Street Journal, o presidente americano teria chamado o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, de “meu ditador favorito” durante um encontro na Casa Branca em abril.

A entidade ressalva que Trump sancionou indivíduos e governos por cometer abusos contra os direitos humanos, como a China. Em março, os Estados Unidos acusaram os chineses de construirem campos de concentração para prender integrantes da minoria étnica uigur, povo muçulmano que habita a província de Xinjiang, no noroeste chinês.

‘Ameaça Global’

Sob o governo do presidente Xi Jinping, a China foi descrita como uma “ameaça global” pelo diretor-executivo do HRW, Kenneth Roth. No domingo 12, Roth foi barrado por autoridades chinesas de ingressar em Hong Kong — palco de onda de protestos contra a China desde junho —, onde divulgaria o relatório anual da organização.

“Em casa, o Partido Comunista Chinês, preocupado com o fato de permitir a liberdade política comprometer seu poder, construiu um estado de vigilância de alta tecnologia e um sofisticado sistema de censura na Internet para monitorar e suprimir as críticas públicas. No exterior, [o governo] usa sua crescente influência econômica para silenciar seus críticos”, afirma Roth.

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