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EUA: comitê legislativo acusa secretário de Justiça de desobediência em caso de armas

Por Por Diego Urdaneta - 20 jun 2012, 20h28

A maioria republicana de um comitê legislativo americano aprovou nesta quarta-feira uma moção de censura contra o secretário de Justiça, Eric Holder, pela operação que permitiu o tráfico de armas para o México, um desafio para o governo de Barack Obama, em pleno ano eleitoral.

A moção, aprovada por 27 votos a 17 no Comitê de Supervisão e Reforma, que investiga a operação Rápido e Furioso, alega que o secretário não entregou ao Congresso documentos-chave para determinar responsabilidades no governo Obama.

A moção foi enviada ao plenário da Câmara dos Representantes no encerramento de uma sessão de mais de quatro horas, realizada apesar de o presidente Obama ter invocado durante o dia privilégios do Executivo para justificar a recusa do Departamento de Justiça a entregar os documentos.

A votação no plenário acontecerá na semana que vem, a menos que Holder entregue os documentos sobre a operação que permitiu a entrada de mais de 2 mil armas no México entre 2009 e 2010, assinalou o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner.

Esta é a primeira vez que um secretário de Justiça é declarado em desobediência desde 1998, sendo que, naquela oportunidade, a moção não chegou a ser votada no plenário da Câmara.

Holder classificou a medida como “uma tática em ano eleitoral, para desviar a atenção. Qualquer afirmação de que o Departamento de Justiça não respondeu aos pedidos de informação é falsa”, afirmou o secretário, que depôs até nove vezes no Congresso e entregou ao comitê quase 8 mil documentos.

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“A entrega desses documentos sob pressão ao Congresso teria consequências significativas e desastrosas”, assinalou o subsecretário James Cole, ao anunciar que Obama invocava seus privilégios para proteger os documentos.

Esta foi a primeira vez que Obama tomou tal medida dentro de uma investigação do Congresso. Seu antecessor, George W. Bush, o fez em seis oportunidades.

A intervenção do presidente na disputa irritou líderes republicanos. “Invocar privilégios legislativos gera perguntas imensas”, comentou o senador Charles Grassley. “Essa atitude sugere que o papel da Casa Branca na operação foi maior do que o conhecido até agora”, disse o chefe do comitê que aprovou a moção, o republicano Darrell Issa.

“Precisamos de respostas agora, não depois”, reclamou Issa durante a sessão, em que os republicanos pressionaram Holder, chegando, inclusive, a pedir a sua renúncia.

Os democratas defenderam o secretário e denunciaram uma “caça às bruxas” com fins políticos, a cinco meses das eleições em que Obama buscará renovar seu mandato.

Tanto Obama, que admitiu que a operação estava “cheia de erros”, quanto Holder dizem que a desconheciam até o escândalo vir à tona, enquanto o Departamento de Justiça realiza uma investigação interna.

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