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EUA arriam bandeira em Bagdá e marcam fim simbólico da Guerra do Iraque

Bagdá, 7 dez (EFE).- Os Estados Unidos arriaram nesta quinta-feira a bandeira americana em Bagdá, num gesto simbólico do fim da Guerra do Iraque, que começou há nove anos e custou a vida de dezenas de milhares de civis e militares.

Com uma cerimônia oficial em uma base militar próxima ao aeroporto de Bagdá, na presença do secretário de Defesa americano, Leon Panetta, as tropas americanas encenaram a retirada do Iraque, que será concluída no próximo dia 31, com a saída dos 4 mil soldados ainda concentrados em algumas províncias do sul.

A base de Imam Ali na cidade de Nasiriyah e o aeroporto de Basra, ambos no sul do país, são os últimos dois pontos com presença militar americano, um dia após a saída das tropas da base de Iko, na cidade de Diwaniya, 180 quilômetros ao sul de Bagdá.

Durante seu discurso nesta quinta-feira, Panetta afirmou que ‘o sonho de um Iraque independente e soberano já é uma realidade’ e ressaltou que os EUA manterão uma presença diplomática significativa e cooperarão em assuntos de segurança para garantir a estabilidade política no país.

‘Os EUA serão sempre um amigo e companheiro comprometido do Iraque’, assinalou Panetta, para quem o fim da presença americana em solo iraquiano dá as boas-vindas à ‘nova etapa dos laços entre os dois países’.

O ministro da Defesa indicou que a segurança e os assuntos sociais, econômicos e políticos serão os principais desafios que esperam o Iraque após a guerra iniciada com a invasão aliada, em março de 2003, responsável por mais de 4,4 mil mortes de americanos e de milhares de iraquianos.

‘Nunca esqueceremos as lições da guerra nem esqueceremos os sacrifícios de mais de 1 milhão de homens e mulheres americanos, assim como de suas famílias’, manifestou Panetta, em referência aos soldados dos EUA que passaram pelo Iraque em sucessivas rotações.

Entre as conquistas obtidas pelas tropas americanas ao longo desses anos, em colaboração com as iraquianas, Panetta enumerou a queda dos níveis de violência, o enfraquecimento da rede terrorista Al Qaeda e a melhora da situação da educação e da economia.

O comandante das forças americanas no país, Lloyd Austin, declarou que ‘o Exército americano pôs fim às ameaças terroristas em todas as áreas do Iraque’, embora a segurança e os contínuos atentados continuem sendo uma das principais preocupações dos iraquianos.

O vice-presidente do Iraque, Tareq al-Hashemi, declarou em comunicado que ‘as pessoas nas ruas estão preocupadas com o que acontecerá depois da retirada’. ‘Por isso, devemos assegurar que estaremos à altura das circunstâncias e dispostos a reafirmar a união nacional’.

O fim desta etapa pôde ser notada nas ruas do país e, já nesta quarta-feira, milhares de iraquianos comemoravam a retirada das tropas dos EUA em Fallujah, cidade que se tornou um dos principais focos da violência entre insurgentes e americanos após a invasão do Iraque.

O servidor público Emar Hassan disse à Agência Efe que a retirada americana significa um ‘grande momento’ da história moderna do Iraque por representar ‘um passo importante no caminho da recuperação da soberania’. ‘Estou feliz e contente pela saída das tropas e pelo fim da ocupação militar’.

A Guerra do Iraque, que em abril de 2003 conseguiu derrubar Saddam Hussein do poder, continuou depois com enfrentamentos das tropas americanas contra insurgentes e terroristas.

Pouco depois da vitória eleitoral do presidente Barack Obama nos EUA, a assinatura de um acordo em dezembro de 2008 marcou as bases para a retirada militar do Iraque.

Este processo permaneceu envolvido em incertezas até as últimas semanas, quando as duas partes negociaram sobre a possibilidade de um número reduzido de soldados ficar no país para treinar a forças iraquianas. A negociação, então, fracassou pela falta de acordo em relação aos pontos-chave, como a imunidade dos americanos.

Já no dia 1º de setembro de 2010, Washington anunciava o fim da chamada operação ‘Liberdade Iraquiana’, após a saída do último batalhão de combate americano do território iraquiano.

A nova etapa, que passou a ser denominada ‘Novo Amanhecer’, é a que os EUA agora dão por finalizada e que se consumará no dia 31 de dezembro, com a retirada do último soldado americano do Iraque. EFE