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EUA admitem que seus drones mataram reféns por engano

Em um comunicado, o presidente Barack Obama assumiu 'toda a responsabilidade' pela morte do americano Warren Weinstein e do italiano Giovanni Lo Porto

Por Da Redação 23 abr 2015, 11h49

O governo dos Estados Unidos reconheceu nesta quinta-feira que dois reféns mantidos pela Al Qaeda foram mortos acidentalmente em uma operação contra terroristas realizada no Afeganistão em janeiro. De acordo com o The New York Times, em um comunicado da Casa Branca, o governo afirmou que o presidente Barack Obama “assume toda a responsabilidade” pela morte do americano Warren Weinstein, e do italiano Giovanni Lo Porto.

O documento informa que a operação foi realizada com drones em uma região de fronteira do Afeganistão com o Paquistão, contra prédios usados por terroristas da Al Qaeda. “Não tivemos nenhuma razão para acreditar que os reféns estavam presentes”, relata o texto. “Não há palavras para expressar plenamente nosso pesar sobre esta tragédia”, completa. Dois outros americanos que pertenciam à Al Qaeda, Ahmed Farooq e Adam Gadahn, também foram mortos em operações americanas na mesma região.

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O documento também informa que a desclassificação da informação (quando um dado deixa de ser sigiloso) foi determinada por Obama para que a verdade pudesse “ser compartilhada com o povo americano”. Além de assumir a responsabilidade pelo erro, o presidente expressou “que é importante fornecer ao povo americano o máximo de informações possível sobre as operações de contraterrorismo, particularmente quando elas tiram a vida dos cidadãos”. O governo também informou que está realizando uma “profunda revisão independente” para determinar o que aconteceu e como tais vítimas poderiam ser evitadas em operações futuros.

Weinstein, de 73 anos, era um especialista em criação de negócios que trabalhava na Agência Americana de Desenvolvimento Internacional. Ele foi sequestrado em agosto de 2011 na cidade paquistanesa de Lahore, apenas quatro dias antes de retornar à sua família nos Estados Unidos. Os terroristas da Al Qaeda divulgaram vários vídeos dele pedindo resgates e ameaçando matá-lo se os EUA não libertassem alguns terroristas presos. O italiano Lo Porto era um agente de ajuda humanitária que atuava no Paquistão e desapareceu em janeiro de 2012.

Reação da Itália – O ministro das Relações Exteriores italiano, Paolo Gentiloni, atribuiu a um “erro fatal dos aliados americanos” a morte de Giovanni Lo Porto. Segundo Gentiloni, “a responsabilidade” pela morte de ambos os reféns “é totalmente dos terroristas”. A Itália, disse o ministro, também confirma seu “compromisso com os aliados” americanos no combate ao terrorismo. O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, lamentou a morte do cidadão italiano e transmitiu “as condolências mais sentidas à família de Giovanni Lo Porto”.

(Da redação)

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