EUA acusam Otan de ‘virar as costas’ em meio à guerra contra Irã
Horas antes de encontro entre Trump e o chefe da aliança, Casa Branca afirma que aliados 'falharam' ao não apoiar Washington no conflito
A Casa Branca acusou nesta quarta-feira, 8, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a principal aliança militar ocidental, de falhar no apoio aos Estados Unidos na guerra contra o Irã, horas antes de uma reunião prevista entre o presidente Donald Trump e o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, em Washington.
A crítica foi feita pela porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, que afirmou que os aliados não corresponderam às expectativas de Washington durante o conflito. Segundo ela, Trump avalia que os países do bloco foram “postos à prova e falharam” nas últimas semanas.
“É bastante triste que a Otan tenha dado as costas ao povo americano justamente quando esse mesmo povo financia sua defesa”, disse a porta-voz. Questionada sobre uma possível saída dos Estados Unidos da aliança, Leavitt afirmou que o tema já foi levantado pelo presidente e poderia ser discutido no encontro com Rutte.
Segundo informações do jornal The Wall Street Journal, o presidente dos EUA também avalia medidas para unir países da Otan pela falta de apoio. Uma das hipóteses é a transferência de tropas americanas de países que não deram apoio a outras nações que se mostraram mais dispostas – Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia estariam entre os possíveis beneficiados.
O plano também inclui a possibilidade de fechar uma base militar dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha, segundo o jornal.
Em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo do mundo, Trump tem pressionado aliados a contribuirem com a segurança. Há poucas semanas, disse ter solicitado a cerca de sete países, como China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, o envio de navios de guerra para “garantir a segurança” e abrir a passagem marítima. A postura, no entanto, não convenceu grande parte dos aliados.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país “não será arrastado para uma guerra mais ampla” contra o Irã, embora mantenha diálogo com aliados sobre formas de garantir a reabertura do estreito.
Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse a parlamentares alemães que concorda que o Irã não deve representar uma ameaça aos países vizinhos, mas colocou em dúvida a estratégia por trás da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel.
“Até hoje, não há um plano convincente de como essa operação poderia ter sucesso. Washington não nos consultou e não disse que a assistência europeia era necessária”, disse Merz. “Teríamos aconselhado contra prosseguir com tal ação da forma como foi feita. Portanto, declaramos que, enquanto a guerra continuar, não participaremos da garantia da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, por exemplo, por meios militares.”
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que os países do bloco não têm interesse em ampliar sua atuação militar nem em expor tropas no estreito. Segundo ela, os europeus não foram consultados sobre os objetivos da ofensiva liderada pelos Estados Unidos e não veem clareza na estratégia.
Antes da reunião com Trump, o secretário-geral da Otan se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. De acordo com o Departamento de Estado, as conversas trataram das operações militares contra o Irã, da guerra na Ucrânia e da necessidade de reforçar a coordenação e a divisão de responsabilidades entre os membros da aliança.
Os Estados Unidos desempenham um papel central na estrutura militar da Otan desde sua criação, em 1949. Ainda assim, Trump tem intensificado as cobranças por maior participação dos aliados, tanto em financiamento quanto em apoio operacional.
Em 2025, os demais países do bloco aprovaram um aumento significativo nos gastos com defesa, dentro de um plano com metas até 2035. Apesar disso, o governo americano mantém o tom crítico, especialmente diante da ofensiva contra o Irã.
Apesar das tensões, Trump costuma elogiar o chefe da Otan, a quem chama de “um cara formidável” e “genial”.





