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EUA acusam formalmente militar suspeito de massacre no Afeganistão

Washington, 23 mar (EFE).- As Forças Armadas dos Estados Unidos acusaram nesta sexta-feira formalmente o sargento americano Robert Bales de matar 17 civis no massacre em uma base americana no Afeganistão, na província de Kandahar.

Bales, de 38 anos, se encontra desde semana passada isolado em prisão preventiva na base americana de Fort Leavenworth, no estado do Kansas, onde lhe foram lidas as acusações.

Além das acusações de homicídio, o sargento responderá por seis tentativas de homicídio e outras seis de agressão, informou o canal de televisão ‘MSNBC’. É a acusação mais severa contra um soldado americano pelo assassinato de civis durante os dez anos de guerra no Afeganistão.

O massacre ocorreu no último dia 11 na província de Kandahar, onde Bales teria invadido várias casas perto da base americana e matado a tiros 17 civis afegãos, entre eles várias crianças.

O advogado de Bales, John Henry Browne, disse que seu cliente não lembra tudo o que aconteceu na noite do massacre. A expectativa é que sua defesa aposte na estratégia de transtorno de estresse pós-traumático.

Bales cumpria sua quarta missão no exterior. Era a primeira no Afeganistão, mas já tinha sido enviado a três missões no Iraque, onde teve um pé ferido e sofreu traumatismo cerebral.

Na terça-feira passada, em entrevista à emissora ‘CBS’, Browne afirmou que seu cliente não confessou o tiroteio e disse que os fatos da noite do dia 11 ainda têm grandes lacunas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que seu governo investigará até as últimas consequências o massacre, que classificou como ‘vergonhosa e inaceitável’.

Obama indicou na semana passada que o Pentágono ‘não poupará esforços para realizar uma investigação completa’ sobre o incidente e ressaltou que os fatos serão examinados ‘até o fim’.

Também afirmou que, apesar do massacre – que ocorreu semanas após soldados americanos queimarem exemplares do Corão no Afeganistão, o que provocou uma onda de protestos -, Washington não cogita mudar sua estratégia de transição e manterá o calendário da retirada militar, que deve terminar em 2014. EFE