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EUA acusam a Rússia de usar políticos ucranianos para derrubar o governo

O Departamento do Tesouro americano aplicou sanções contra dois parlamentares e dois ex-funcionários ucranianos acusados de conspiração

Por Matheus Deccache Atualizado em 20 jan 2022, 17h07 - Publicado em 20 jan 2022, 15h24

Os Estados Unidos estão acusando a Rússia de recrutar funcionários e ex-funcionários do governo ucraniano para assumir o controle de Kiev e cooperar com uma força de ocupação russa.

O Departamento do Tesouro do país emitiu sanções contra dois membros do parlamento da Ucrânia e dois ex-funcionários supostamente envolvidos na conspiração, que tem como um dos objetivos descredibilizar o atual presidente, Volodymyr Zelensky. 

“A Rússia orientou seus serviços de inteligência a recrutar indivíduos para assumir a Ucrânia e controlar a infraestrutura crítica com uma força de ocupação”, disse o departamento. 

As novas alegações feitas pelas agências de inteligência americanas temem que o Kremlin esteja preparando uma invasão em grande escala, diferente da “pequena incursão” sugerida pelo presidente Joe Biden na última quarta-feira (19).

Em entrevista coletiva que marcava um ano de seu governo, Biden disse que há possibilidades de que a ofensiva russa seja “menor” do que a prevista, concluindo que, se isso de fato acontecer, a resposta do Ocidente e da Otan será mais branda. 

Os comentários foram duramente criticados pelos ucranianos, que dizem que a fala dá luz verde à Rússia para avançar na incursão. Por meio de sua conta no Twitter, Zelensky disse ser importante lembrar às grandes potências que não existem pequenas incursões e nações pequenas. 

Após as críticas, a Casa Branca agiu rapidamente e procurou esclarecer que qualquer ação russa será recebida com uma “resposta rápida, severa e unida”. Em entrevista à NBC nesta quinta, a vice-presidente, Kamala Harris, reforçou a ideia de que “todos os países aliados estão prontos para cobrar custos sérios e severos” contra a Rússia. 

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A fala de Biden levantou ainda a antiga preocupação de que os interesses americanos não estão totalmente alinhados com os da União Europeia. Enquanto os Estados Unidos defendem a aplicação de sanções econômicas, os países europeus, principalmente os próximos à Rússia, defendem uma abordagem mais dura por temer novas expansões militares futuramente. 

Além disso, grande parte da Europa depende fortemente das exportações de gás russas, o que faria com que o conjunto de sanções prejudicasse indiretamente as nações do continente. 

Funcionários acusados

Os dois parlamentares sancionados foram Taras Kozak e Oleh Voloshyn, ambos membros de um partido pró-Rússia liderado por Victor Medvedchuk, que está em prisão domiciliar na Ucrânia desde maio de 2021, acusado de traição. 

Dentre os ex-funcionários, Volodymyr Oliynyk, que mora em Moscou, foi acusado de trabalhar “sob a direção da Inteligência russa para coletar informações sobre a infraestrutura crítica ucraniana”.

O quarto e último envolvido é Vladimir Sivkovich, ex-vice-secretário do conselho de defesa e segurança nacional ucraniano. 

Em defesa, Voloshyn negou veementemente ser um ativo russo e disse que nunca conversou com o Serviço de Inteligência do país ou com qualquer outra agência de espionagem. 

No entanto, ele disse ter sido eleito deputado por um partido explicitamente pró-Rússia e que suas opiniões céticas em relação aos Estados Unidos refletem as de muitos cidadãos ucrainanos. 

Em entrevista, Voloshyn disse ainda que as acusações são estranhas, uma vez que foi entrevistado pelo FBI em meados de 2021 durante viagem a Washington. Ele completou dizendo que a última vez que esteve em Moscou foi em novembro, sua primeira ida à Rússia em dois anos.

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