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Estudantes voltam às ruas um ano depois da onda de protestos na Venezuela

Houve confrontos entre os opositores e policiais nas marchas para marcar o aniversário das manifestações no país. Ato pró-Maduro também foi organizado

Movimentos estudantis e opositores foram às ruas nesta quinta-feira em Caracas e outras cidades da Venezuela para marcar o aniversário de um ano do início dos protestos que estremeceram o país e resultaram em 43 mortes. Ao longo de quatro meses, em 2014, os indignados com a política do governo Nicolás Maduro enfrentaram forte repressão. Nesta quinta, forças de segurança voltaram a entrar em confronto com os manifestantes.

Em San Cristóbal, no Estado de Táchira, oeste do país, pelo menos oito pessoas ficaram feridas. Policiais e guardas nacionais usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que atiraram pedras e coquetéis molotov, segundo testemunhas.

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No centro de Caracas, centenas de opositores tentaram marchar desde a praça Las Tres Gracias até a igreja San Pedro, onde estava planejada uma missa em homenagem aos mortos nos protestos do ano passado. No entanto, forças antiprotestos impediram o avanço dos manifestantes, já que a marcha não tinha autorização – em uma tentativa de calar as vozes divergentes, o governo passou a exigir autorização prévia para organizar qualquer protesto. No leste da capital, outras centenas de estudantes se mobilizaram com lemas contra Maduro e imagens das vítimas das manifestações de 2014.

O governo mandou fechar cinco estações de metrô que passam pelas rotas percorridas nas manifestações antigovernamentais. Pelo centro de Caracas, milhares de simpatizantes do governo marcharam para comemorar o dia da juventude. Maduro deveria fazer um discurso no encerramento da atividade oficial, mas sua fala foi suspensa por causa da chuva.

“Estamos marchando pacificamente para homenagear aqueles que caíram”, disse Fabio Valentini, de 21 anos, estudante pró-oposição da Universidade Católica Andres Bello, que também estava nas ruas no ano passado quando as primeiras vítimas foram mortas a tiros. “A Venezuela está hoje numa situação muito pior do que no ano passado. A economia está em crise. O crime está pior. Nosso objetivo não é derrubar o regime, mas cobrar direitos e mudanças em políticas fracassadas”.

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Do lado dos apoiadores de Maduro, o jovem Javier Castillo, de 20 anos, confiou mais em conjunturas externas do que na capacidade do governo de lidar com os graves problemas econômicos do país: “Os preços do petróleo vão subir de novo e nós vamos ficar bem”, disse o estudante da Universidade Bolivariana, enquanto dançava e cantava com os manifestantes. “Vamos deixar os filhinhos de papai e mamãe virem aqui e ver a alegria”.

Na próxima quarta-feira completará um ano da prisão do dirigente do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, levado para uma prisão militar, acusado de incêndio criminoso, homicídio qualificado e por incentivar a violência nos protestos. Daniel Ceballos, que era prefeito de San Cristóbal, berço dos protestos, foi detido e destituído do cargo, acusado de rebelião e conspiração. Ele também continua sob processo judicial. Além dos dois, dezenas de pessoas presas durante os protestos do ano passado seguem atrás das grades.

(Com agências Reuters e France-Presse)