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Estudantes voltam às ruas um ano depois da onda de protestos na Venezuela

Houve confrontos entre os opositores e policiais nas marchas para marcar o aniversário das manifestações no país. Ato pró-Maduro também foi organizado

Por Da Redação 12 fev 2015, 22h13

Movimentos estudantis e opositores foram às ruas nesta quinta-feira em Caracas e outras cidades da Venezuela para marcar o aniversário de um ano do início dos protestos que estremeceram o país e resultaram em 43 mortes. Ao longo de quatro meses, em 2014, os indignados com a política do governo Nicolás Maduro enfrentaram forte repressão. Nesta quinta, forças de segurança voltaram a entrar em confronto com os manifestantes.

Em San Cristóbal, no Estado de Táchira, oeste do país, pelo menos oito pessoas ficaram feridas. Policiais e guardas nacionais usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que atiraram pedras e coquetéis molotov, segundo testemunhas.

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No centro de Caracas, centenas de opositores tentaram marchar desde a praça Las Tres Gracias até a igreja San Pedro, onde estava planejada uma missa em homenagem aos mortos nos protestos do ano passado. No entanto, forças antiprotestos impediram o avanço dos manifestantes, já que a marcha não tinha autorização – em uma tentativa de calar as vozes divergentes, o governo passou a exigir autorização prévia para organizar qualquer protesto. No leste da capital, outras centenas de estudantes se mobilizaram com lemas contra Maduro e imagens das vítimas das manifestações de 2014.

O governo mandou fechar cinco estações de metrô que passam pelas rotas percorridas nas manifestações antigovernamentais. Pelo centro de Caracas, milhares de simpatizantes do governo marcharam para comemorar o dia da juventude. Maduro deveria fazer um discurso no encerramento da atividade oficial, mas sua fala foi suspensa por causa da chuva.

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“Estamos marchando pacificamente para homenagear aqueles que caíram”, disse Fabio Valentini, de 21 anos, estudante pró-oposição da Universidade Católica Andres Bello, que também estava nas ruas no ano passado quando as primeiras vítimas foram mortas a tiros. “A Venezuela está hoje numa situação muito pior do que no ano passado. A economia está em crise. O crime está pior. Nosso objetivo não é derrubar o regime, mas cobrar direitos e mudanças em políticas fracassadas”.

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Do lado dos apoiadores de Maduro, o jovem Javier Castillo, de 20 anos, confiou mais em conjunturas externas do que na capacidade do governo de lidar com os graves problemas econômicos do país: “Os preços do petróleo vão subir de novo e nós vamos ficar bem”, disse o estudante da Universidade Bolivariana, enquanto dançava e cantava com os manifestantes. “Vamos deixar os filhinhos de papai e mamãe virem aqui e ver a alegria”.

Na próxima quarta-feira completará um ano da prisão do dirigente do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, levado para uma prisão militar, acusado de incêndio criminoso, homicídio qualificado e por incentivar a violência nos protestos. Daniel Ceballos, que era prefeito de San Cristóbal, berço dos protestos, foi detido e destituído do cargo, acusado de rebelião e conspiração. Ele também continua sob processo judicial. Além dos dois, dezenas de pessoas presas durante os protestos do ano passado seguem atrás das grades.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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