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Estudantes islâmicos atacam e saqueiam pela 2ª vez embaixada britânica

Teerã, 29 nov (EFE).- Um novo grupo de estudantes islâmicos atacou nesta terça-feira pela segunda vez a embaixada britânica em Teerã, informou a agência estudantil local ‘Isna’, que situou o novo incidente às 18h (12h30 de Brasília).

Na ação, os jovens saquearam e destruíram documentos. A agência indicou que, apesar da atuação da Polícia, que cerca a embaixada do Reino Unido em um bairro ao norte de Teerã, os estudantes conseguiram subir no muro da embaixada com bandeiras e cartazes. Parte deles entrou nas instalações.

A agência ‘Mehr’ disse que cerca de 200 manifestantes entraram na embaixada e que vários deles foram detidos pelos agentes, que retêm os invasores no jardim do prédio.

As agências afirmam que há cada vez mais pessoas concentradas no exterior, exigindo a libertação de seus companheiros. Os manifestantes, estudantes islâmicos ultraconservadores, divulgaram um comunicado pedindo a expulsão imediata do embaixador britânico e o fim das relações com o Reino Unido, que chamam de ‘raposo velho’.

Os estudantes também afirmam que não têm intenção de se retirar do local e propõem a ocupação permanente da embaixada britânica, como aconteceu com a dos Estados Unidos em novembro de 1979, que durou 444 dias e causou a ruptura das relações de Washington com Teerã.

Este incidente acontece dois dias após o Parlamento iraniano ratificar com grande maioria uma lei para diminuir o nível das relações com o Reino Unido para a categoria de encarregado de negócios, o que supõe a retirada de embaixadores.

A lei passou na segunda-feira por seu último trâmite, ao ser validada como constitucional pelo Conselho de Guardiães da Revolução iraniana. De acordo com o texto, o Ministério de Relações Exteriores tem duas semanas para aplicar a lei e reduzir ao mínimo as relações políticas e econômicas com o Reino Unido.

A redução das relações acontece em resposta à decisão britânica, adotada na última semana, de impor novas sanções financeiras ao Irã e às indústrias petrolífera e petroquímica do país, medidas acordadas também por Canadá e Estados Unidos.

Estas sanções foram adotadas por causa da suspeita manifestada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de que o programa nuclear iraniano tem uma vertente militar, o que Teerã negou taxativamente e assegura que é exclusivamente civil, com fins pacíficos.

A União Europeia estuda também a imposição de novas sanções ao Irã, enquanto a Rússia as considera ilegais e inadequadas e defende que estas sanções diminuem as possibilidades de estabelecer uma negociação com Teerã sobre o programa nuclear. EFE