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Estudantes interrompem negociação com governo

Federação dos estudantes afirma que o governo local e a polícia estão sendo coniventes com grupos que atacam os manifestantes nas ruas da cidade

Por Da Redação 3 out 2014, 12h59

A Federação de Estudantes de Hong Kong informou que decidiu interromper as negociações com o governo em razão “da falta de atitude da polícia a respeito da violência contra os manifestantes”. Os estudantes afirmam que os manifestantes foram atacados por grupos do crime organizado. “O governo e a polícia permitiram que grupos mafiosos chineses e outras forças atacassem manifestantes pacíficos, efetivamente colocando um fim à negociação. Eles devem ser responsabilizados”, disse a Federação em comunicado divulgado em sua página no Facebook.

O envolvimento de grupos criminais organizado não pôde ser confirmado, mas pessoas não identificadas têm sido vistas atacando os manifestantes. “O governo havia dito ontem que desejava conversar com os estudantes, mas hoje perdeu a confiança do público. Eles reprimiram sem justificativa o movimento Occupy, o que efetivamente representa uma remoção”, diz o documento. “Enquanto o governo vai contra si mesmo, não há escolha a não ser interromper as negociações”. No comunicado, a Federação ainda pede que os cidadãos saiam para as ruas e protejam vários locais de protesto, já que o governo planeja remover os manifestantes das áreas de reunião.

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O status de Hong Kong

Ex-colônia britânica, Hong Kong passou a ser uma região administrativa especial (RAE) da China em 1997, ano em que a cidade foi devolvida. Pelo acordo entre britânicos e chineses, Hong Kong goza de um elevado grau de autonomia, liberdade de expressão e econômica. Também preserva elementos do sistema judicial ocidental. Essas condições devem ser mantidas pelo menos até 2047.

Pedido de dispersão – O governo de Hong Kong pediu nesta sexta aos organizadores dos protestos pró-democráticas a persuadir seus integrantes que se dispersem o mais rápido possível, depois que foram atacados por grupos contrários em vários pontos da cidade ocupados pelo movimento. Em um comunicado, o Executivo pediu “calma” a ambos os grupos e ao povo que apoia o movimento de protesto para seguir o conselho da polícia e “ir embora o mais rápido possível, para sua própria segurança”‘.

As pessoas que se opõe à manifestação também “devem cooperar”, disse o Executivo, que louvou a atuação policial e assegurou que esta evidencia que não privilegiam um grupo político neste conflito. O comunicado foi divulgado depois dos ataques registrados em duas áreas ocupadas, em Causeway Bay, popular entre os turistas chineses, e na região de Mong Kok, um dos bairros com maior densidade de população da cidade e com uma alta atividade comercial.

Em Mong Kok foram vividos os momentos mais tensos do dia depois que cerca de 1.000 de pessoas encurralaram uma centena de estudantes para exigir-lhes que deixem as ruas livres e devolvam a normalidade à área. A polícia tentou, sem muito sucesso, conter os cidadãos que pretendiam atacar a região onde os estudantes estão acampados desde sábado passado.

(Com Estadão Conteúdo, agências Reuters e EFE)

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