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Estudantes de escola da Flórida voltam às aulas após tiroteio

Em resposta a debate nacional, maior loja de varejo de armas deixará de vender fuzis de assalto

Os estudantes da escola de Ensino Médio americana Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, voltaram às aulas nesta quarta-feira, em meio a ostensivas medidas de segurança, duas semanas depois da tragédia que terminou na morte de 17 pessoas.

Logo no começo da manhã, os alunos entraram na escola às lágrimas. Dezenas de pais, vizinhos, alunos e ex-alunos de outras escolas e diversos corpos policiais se reuniram na entrada principal para apoiar os estudantes. Alunos e professores usaram laços e rosas brancas para homenagear as 17 vítimas do massacre.

Os professores voltaram alguns dias antes ao colégio para se prepararem e, no domingo, a instituição organizou um dia de orientação para permitir a pais e estudantes recuperar as coisas que deixaram para trás em meio ao pânico e à retirada do dia do tiroteio.

Nesta quarta, o dia será uma jornada especial na qual conselheiros e especialistas conversarão com os alunos sobre o tiroteio e a traumática experiência vivida. Está previsto que os estudantes façam nesta semana um horário reduzido, com a maior parte do tempo destinado a encontros “para falar do ocorrido”.

Em 14 de fevereiro, o jovem de 19 anos Nikolas Cruz, ex-aluno do instituto e autor confesso do massacre, invadiu o centro educativo armado com um rifle semiautomático AR-15 e tirou a vida de 14 estudantes e três professores, além de deixar 20 de feridos.

Cruz está atualmente detido em uma prisão de Broward, no sudeste da Flórida, sem direito à fiança. Ele enfrenta 17 acusações por homicídio.

Controle de armas

A empresa de equipamentos esportivos Dick’s Sporting Goods, a maior loja de varejo de armas nos Estados Unidos, anunciou nesta quarta que deixará de vender fuzis de assalto, o modelo de arma usado por Cruz no massacre da Marjory Stoneman Douglas.

Segundo o presidente-executivo da companhia, Edward Stack, a empresa também restringirá as vendas de armas a menores de 21 anos e irá retirar de suas prateleiras os cartuchos de munição de grande capacidade. A decisão foi tomada como resposta ao debate nacional aberto pelo trágico tiroteio há duas semanas.

“Somos decididos defensores da Segunda Emenda, eu mesmo sou proprietário de armas. Mas não queremos ser parte desta história e eliminamos estas armas de maneira permanente”, apontou Stack em uma entrevista ao programa Good Morning America, ao se referir à emenda da Constituição dos EUA que ampara o direito a portar armas.

Com este passo, o presidente-executivo da Dick’s Sporting Goods disse que espera que “mais políticos” se somem ao debate e elaborem uma reforma legislativa sobre armas “de sentido comum”, aumentando a idade mínima de compra aos 21 anos e proibindo a venda de fuzis de assalto.

(Com EFE, AFP e Reuters)