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‘Estou bem’, dizem meninos presos em caverna na Tailândia em cartas

Treinador pediu desculpas por ter levado os meninos para o interior da caverna, atitude que divide opiniões no país

Os doze meninos presos em uma caverna da Tailândia há 14 dias enviaram hoje, com a ajuda dos mergulhadores, cartas a suas famílias, ao mesmo tempo que as equipes de emergência mencionam um prazo de três a quatro dias para o resgate antes do retorno das chuvas.

O treinador de futebol dos menores de idade, que está com o grupo na caverna, também enviou uma carta aos pais das crianças, na qual pede desculpas: “Obrigado por todo o apoio moral e peço desculpas aos pais”, escreveu Ekkapol Chantawong, de 25 anos, no texto divulgado pelos socorristas. “Para todos os pais, todas as crianças ainda estão bem. Eu prometo cuidar das crianças da melhor forma possível”, escreveu.

Esta é a primeira mensagem do técnico, cujo papel na situação em que se encontram os meninos provocou polarização nas mídias sociais na Tailândia. Muitos o elogiaram depois que ele deu sua parte de comida às crianças antes de serem localizadas e as ajudou a atravessar nove dias na escuridão. Outros o criticaram por ter concordado em levar os meninos para dentro de uma caverna durante a temporada das chuvas de monções.

Os pais responderam ao técnico, pedindo para que ele não se culpe. “Nós não estamos bravos com você. Cuide bem de si mesmo. Não se esqueça de se cobrir com cobertores quando o tempo estiver frio. Estávamos preocupados. Você sairá em breve”, disse uma carta, escrita pela mãe de Nattawut Takamsai de 14 anos. “Queremos que você saiba que nenhum pai está com raiva de você, então não se preocupe com isso”.

Após a publicação de dois vídeos, o primeiro gravado quando os mergulhadores britânicos encontraram o grupo na segunda-feira (2) à noite e o segundo, de terça-feira (4), as autoridades não divulgaram mais imagens dos jovens.

As cartas escritas pelas crianças a suas famílias são as primeiras provas de vida reveladas desde terça-feira. “Não se preocupem, mamãe e papai. Eu estou fora há duas semanas, mas vou voltar e ajudá-los na loja”, escreveu Bew.

“Estou bem, mas aqui faz um pouco de frio. Não se preocupem comigo. Não esqueçam de preparar minha festa de aniversário”, escreveu Duangphet, que assina a mensagem com seu apelido, Dom. “Se eu sair, por favor me levem para comer moo krata”, pediu Piphat, conhecido como Nick, ao mencionar um prato tailandês a base de porco e verduras.

As equipes de emergência mencionaram hoje a possibilidade de optar por um resgate perigoso, antes do retorno das chuvas de monção que derrubariam todos os esforços para drenar o máximo de água da caverna. “Agora e durante os três ou quatro próximos dias, as condições de resgate são perfeitas no que diz respeito à água, tempo e saúde das crianças”, afirmou Narongsak Osottanakorn, governador da província de Chiang Rai e coordenador da célula de crise. “Temos que decidir o que podemos fazer”, completou.

Corte transversal de cavernas na Tailândia onde um time de futebol está preso.

Durante a manhã, o governador afirmou que os meninos ainda não estavam preparados para percorrer o trajeto perigoso e sair da caverna. Mas o nível da água na gruta desceu, graças às operações de drenagem.

A morte de um ex-mergulhador da Marinha tailandesa ontem durante uma operação de abastecimento mostra o nível de perigo. Vários meninos, com idades entre 11 e 16 anos, não sabem nadar e nenhum deles já praticou mergulho, o que complica ainda mais as operações.

No momento, um mergulhador experiente precisa de 11 horas para fazer uma viagem de ida e volta até o local em que estão os jovens: seis de ida e cinco para volta, graças à ajuda da corrente. O trajeto tem vários quilômetros e inclui passagens estreitas e trechos sob a água.

Tempo de percurso com mergulho em caverna na Tailândia onde equipe de futebol está presa Tempo de percurso com mergulho em caverna na Tailândia onde equipe de futebol está presa

Tempo de percurso com mergulho em caverna na Tailândia onde equipe de futebol está presa (Arte/VEJA)

Como alternativa ao resgate por mergulho, as equipes de emergência anunciaram mais de 100 perfurações verticais na montanha. Algumas são pouco profundas, mas uma delas tem quase 400 metros de profundidade. A operação de resgate chama a atenção da imprensa mundial e mais de 1.100 jornalistas estão no local, com os equipamentos instalados em meio ao barro em uma área de selva tropical.

(Com AFP)