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“Estão atirando para matar”, diz aluno nicaraguense neste sábado

Atiradores de elite atacaram estudantes na universidade UNAM na madrugada de sábado

Forças policiais e paramilitares atacaram neste sábado (23) com disparos estudantes na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN), a sudoeste de Manágua, que protestavam contra o governo de Daniel Ortega, de acordo com relatos de jovens, da Igreja e de grupos humanitários.

Estão nos atacando desde uma da manhã (…) há atiradores de elite também. Estamos nas barricadas porque estão atirando para matar, temos 14 feridos e dois mortos“, disse um jovem com o rosto coberto por um lenço, em uma transmissão ao vivo no Facebook onde se vê uma trincheira com outros jovens.

Organizações de direitos humanos ainda não confirmaram se há mortos ou feridos, mas denunciaram os ataques na UNAN e em alguns bairros do leste de Manágua, e acusaram o governo da forte repressão dos protestos, que deixaram mais de 200 mortos em dois meses.

“O governo de Ortega continua reprimindo e assassinando jovens”, tuitou o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

De acordo com o secretário da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPD), Álvaro Leiva, ataques à UNAN “estão ligados” com a chamada “Marcha de flores”, convocada por grupos da sociedade civil para a tarde deste sábado em memória das vítimas da violência.

A mensagem “é semear o terror nos cidadãos. Isso viola os direitos das pessoas de protestar civicamente”, disse Leiva.

A Conferência Episcopal da Nicarágua (CNE) anunciou que vai enviar uma comitiva de sacerdotes para verificar a situação e pressionar para parar os ataques.

Na transmissão pelo celular do grupo de estudantes eram ouvidos os disparos de armas de fogo. “Nós não vamos nos render”, gritavam outros jovens com os rostos escondidos.

“A luta continua. Este governo não pode contra nós (…) Vá embora, o povo não os quer”, afirmou o mesmo jovem que fez a transmissão ao vivo.

Os protestos começaram em 18 de abril contra uma reforma do sistema de seguro social, mas foram estendidas para exigir justiça pelas mortes e a saída do poder de Ortega, a quem acusam de estabelecer, junto com sua esposa Rosario Murillo, um governo autocrático.