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Estados Unidos e Rússia concordam em agir por transição política segura na Síria

Presidentes têm divergências sobre a estratégia para o processo. Conselho de Segurança não emitirá condenação ao atentado contra membros do regime sírio

Os presidentes americano, Barack Obama, e russo, Vladimir Putin, concordam sobre a necessidade de uma transição política na Síria, embora divirjam sobre a estratégia para alcançar o objetivo. Os dois líderes conversaram nesta quarta-feira por telefone, informou a Casa Branca. A Rússia, ao lado da China, é contrária a aprovação da resolução para a Síria apresentada pelos países ocidentais.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Os dois presidentes notaram o aumento da violência na Síria e chegaram a um acordo sobre a necessidade de apoiar uma transição assim que possível para que o nosso objetivo de acabar com a violência e evitar uma nova deterioração do cenário seja alcançado”, indicou a presidência americana em um comunicado. Obama e Putin “reconheceram as diferenças que os governos têm tido sobre a Síria, mas concordaram que suas equipes devem continuar a trabalhar por uma solução.”

O Kremlin foi o primeiro a revelar a conversa, uma iniciativa tomada por Obama. “No geral, o intercâmbio de ideias mostrou a concordância das análises da situação na Síria e o objetivo de uma solução. Ao mesmo tempo, persistem divergências sobre como alcançar concretamente essa solução”, disse o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, citado pela agência Ria Novosti.

ONU – O Conselho de Segurança da ONU recebeu com preocupação a notícia sobre o atentado de Damasco, que provocou a morte do ministro da Defesa do país, mas não deve tomar atitudes drásticas, segundo o presidente da entidade, o colombiano Néstor Osorio.

“Conseguir um consenso para condenar atos de violência está ficando muito difícil na ONU”, disse o presidente do Conselho de Segurança ao ser perguntado sobre a possibilidade de uma condenação contra o atentado desta quarta-feira. “São notícias extremamente lamentáveis e se trata de uma reação da oposição que tem todos os ingredientes de uma batalha interna de grande magnitude. Damasco está em chamas”, acrescentou o diplomata colombiano.

Votação – Os membros permanentes do principal órgão internacional de segurança acataram o pedido do enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, para atrasar para quinta-feira a votação da resolução que impõe sanções ao regime sírio.

Segundo o atual presidente do Conselho, o texto, que também propõe a extensão por 45 dias da presença dos observadores internacionais na Síria, é “uma resolução orientada a pôr fim à violência, obter o cessar-fogo e conseguir um compromisso do Governo e da oposição para um diálogo político”.

(Com agências EFE e France-Presse)