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Estado Islâmico no Afeganistão pode atacar EUA em seis meses

Alerta foi feito ao Senado americano na terça-feira por subsecretário para Políticas de Defesa

Por Da Redação 27 out 2021, 14h33

Agências da inteligência americana avaliaram que extremistas islâmicos que operam no Afeganistão podem atacar os Estados Unidos dentro de seis meses, à medida que o país sofre o que as Nações Unidas definiram como “a maior crise humanitária do mundo”. A declaração, a respeito do grupo Estado Islâmico no Afeganistão (EI-K), foi feita por um alto funcionário do Pentágono ao Senado, em Washington, na terça-feira, 26.

Segundo Colin Kahl, subsecretário para Políticas de Defesa, não está claro se o Talibã, que é inimigo do EI-K, tem a capacidade de combater o grupo terrorista de maneira eficaz após a retirada das tropas americanas, em agosto.

“Se entende, atualmente, que o EI-K e a al-Qaeda têm a intenção de conduzir operações externas, incluindo contra os Estados Unidos, mas nenhuma delas têm a capacidade, neste momento, de fazê-lo”, disse Kahl. “Nós acreditamos que o EI-K consiga atingir essa capacidade entre 6 e 12 meses”.

A al-Qaeda, por sua vez, precisaria de “um ou dois anos”, acrescentou o subsecretário, dizendo que “é preciso permanecer vigilante para esta possibilidade”.

Em setembro, o ministro das Relações Exteriores do Talibã e negociador do grupo com outros países, Amir Khan Muttaqi, declarou que o grupo não permitiria que o território afegão fosse usado para planejar ataques contra outros países.

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A declaração foi feita na semana seguinte às homenagens aos 20 anos dos ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Na época, o Talibã controlava o Afeganistão e abrigava organização consideradas terroristas pelos EUA, como o braço da al-Qaeda liderado por Osama bin Laden.

Ainda durante a ocupação americana no Afeganistão, um ataque comandado pelo EI-K deixou ao menos 180 mortos, incluindo 13 militares americanos, no aeroporto de Cabul. Mais tarde, em 15 de outubro, um atentado contra uma mesquita da minoria xiita no sul do país provocou a morte de pelo menos 32 pessoas, uma semana após ação semelhante em que 80 pessoas faleceram.

Além das ameaças terroristas, o amplo cenário de fome entre cidadãos reflete a rápida deterioração de condições de vida no Afeganistão desde a queda do governo do presidente Ashraf Ghani, apoiado pelo Ocidente, e a tomada de Cabul pelo Talibã, em agosto.

Embora diversos governos tenham se comprometido em uma conferência de emergência em setembro a fornecer cerca de 1 bilhão de dólares em alimentos, suprimentos médicos e ajuda humanitária ao Afeganistão, de 38 milhões de habitantes, apenas uma pequena fração do prometido foi recebida pela ONU, que lidera os esforços.

“Todo homem, mulher e criança do Afeganistão sabe que há uma crise realmente profunda se desenrolando”, disse Dick Trenchar, diretor para o Afeganistão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). “Ainda não vimos o pior”. 

Segundo a ONU, cerca de 19 milhões de afegãos estão em situação de fome aguda, o que sigifnica que não têm acesso diário suficiente a alimentos.

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