Espriella toma posse na Colômbia com promessa de guinada e aliança com Trump
Novo presidente colombiano quer desmontar política de 'paz total' de Gustavo Petro e ampliar ofensiva contra grupos armados com ajuda de EUA e Israel
Abelardo de la Espriella tomou posse nesta sexta-feira, 7, como presidente da Colômbia com a promessa de promover uma guinada na política de segurança do país e estreitar a aliança com os Estados Unidos. “El Tigre”, como se autodenomina, tirou a esquerda do poder com um discurso antissistema e a promessa de subjugar o narcotráfico fortalecido.
Excêntrico, falastrão, milionário e neófito na política, o novo mandatário chega ao poder apoiado por Donald Trump e defendendo uma ofensiva sem trégua contra guerrilhas, organizações criminosas e grupos ligados ao narcotráfico.
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“A horrível noite está chegando ao fim. A democracia falou nas urnas e decidiu que a Colômbia volte a ter autoridade, ordem e esperança”, disse dias antes de sua posse o advogado de 48 anos, conhecido por uma lista controversa de clientes que inclui paramilitares, narcotraficantes, políticos corruptos e estrelas do futebol.
A cerimônia ocorreu em Cali, e não em Bogotá, em uma ruptura com a tradição das posses presidenciais colombianas. A mudança foi aprovada pelo Congresso e colocou o evento no coração do Valle del Cauca, uma das regiões mais afetadas pela atuação de grupos armados. Cerca de 11 mil militares foram mobilizados para reforçar a segurança da cerimônia, que também contará com um sistema antidrones — o “tigre” já costuma circular protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Foco na segurança
De la Espriella substitui Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Ele foi eleito em junho por uma das margens mais estreitas já registradas no país, derrotando o candidato governista Iván Cepeda no segundo turno. O resultado foi questionado por Petro, que apontou supostas irregularidades na votação, mas a vitória do ultradireitista foi posteriormente oficializada pelas autoridades eleitorais.
Em eventos embalados por fogos de artifício e rugidos de tigre, Espriella jurou “reconstruir a República” e defender a democracia “pela razão ou pela força”. Depois de derrotar a direita tradicional, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que desgoverna a Colômbia eu digo: aqui há uma alcateia, há um povo que não se ajoelha e que veio enfrentá-los” e “castigá-los”.
A principal mudança prometida pelo novo governo está na segurança. De la Espriella pretende abandonar a política de “paz total”, principal aposta de Petro para negociar com grupos armados, e adotar uma estratégia de confronto direto. Ele aposta no fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado.
O presidente eleito defendeu bombardeios contra acampamentos de guerrilheiros e organizações narcotraficantes, além de operações com apoio militar de Estados Unidos e Israel. “No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido”, afirmou.
Outra promessa é a construção de megapresídios inspirados no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O novo governo também anunciou planos para reduzir em cerca de 40% o tamanho do Estado e eliminar estruturas criadas durante a gestão de Petro, incluindo a figura do comissário para a Paz.
Aproximação com Trump
A chegada de De la Espriella também representa uma mudança significativa na relação entre Bogotá e Washington. Trump apoiou publicamente sua candidatura durante a campanha e, nesta semana, anunciou uma delegação presidencial dos Estados Unidos para participar da cerimônia de posse.
A nova administração também pretende alterar a política externa colombiana. Durante a campanha, De la Espriella afirmou que poderia romper relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua, em mais uma demonstração de alinhamento com Washington.
Cantor de ópera amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa a camisa amarela da seleção colombiana de futebol, à maneira do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, aparece fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e runs. Além disso, possui sua própria marca de roupas, chamada “De la Espriella Style”.







