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Especialistas em armas químicas da Opaq iniciam viagem à Síria

A equipe com vinte investigadores terá a missão de conferir os números enviados pelo ditador Bashar Assad sobre o arsenal químico do regime

Vinte especialistas em armas químicas desembarcaram nesta segunda-feira em Beirute, capital do Líbano, para seguir viagem por terra até Damasco, na Síria. A equipe foi enviada ao país para iniciar a aplicação do plano estipulado pela comunidade internacional, e ratificado pela ONU, para destruir o arsenal sírio em resposta ao massacre de 1 400 pessoas na periferia de Damasco, em 21 de agosto. De acordo com a agência nacional de notícias libanesa, as autoridades adotarão fortes medidas de segurança para proteger os enviados da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) durante o trajeto até a capital síria.

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Os especialistas deverão iniciar na terça-feira a contagem oficial das armas químicas. O acordo com o regime sírio foi alcançado após os Estados Unidos e Rússia negociarem uma saída diplomática para a guerra civil no país. A expectativa é de que todo o arsenal seja confiscado e destruído até o primeiro semestre de 2014. Além disso, o trabalho desta primeira fase servirá para verificar os dados apresentados pela Síria em relação à quantidade de armamentos químicos. Instalações de produção dos agentes tóxicos também serão visitadas e destruídas.

A fase de verificação do arsenal envolve conversas de alto nível entre representantes políticos dos países e apoio técnico à Síria na elaboração de sucessivos relatórios, os quais devem atender os requisitos formais marcados pela Convenção para Armas Químicas.

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Inspetores – Enquanto os enviados da Opaq se encaminham para a Síria, os inspetores da ONU que já se encontravam em Damasco encerraram nesta segunda-feira uma missão de quatro dias no país. A equipe, liderada pelo cientista sueco Ake Sellström, investiga o uso de armas químicas em outros sete ataques, sendo três denúncias posteriores ao massacre de 21 de agosto. Os especialistas, contudo, terão de voltar à Síria para coletar provas referentes ao uso de agentes tóxicos em 19 de março, na cidade de Khan al Asal, na província de Alepo. A região foi tomada por rebeldes em julho.

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Terrorismo – Ao passo que o regime do ditador Bashar Assad se dispõe a cooperar com o Ocidente para resolver a questão envolvendo armas químicas, o governo sírio dá mostras de que dificilmente chegará a um consenso com os rebeldes contrários ao ditador. O chanceler sírio Walid al-Moualem condenou as práticas da oposição, e disse que não há diferenças entre rebeldes moderados (apoiados pelo Ocidente) e jihadistas filiados à Al Qaeda. “Isso não é uma guerra civil, mas uma guerra contra o terrorismo”, disse al-Moualem, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

“A Síria disse várias vezes que apoia uma solução política contra a crise e, agora, pedimos que os que dizem apoiá-la interrompam as hostilidades”, acrescentou o ministro. al-Moualem disse, ainda, que o país rejeitará qualquer tentativa de interferência vinda do exterior e derrotará os “partidários do sectarismo, o extremismo e o terrorismo”. Representantes do governo sírio deverão se encontrar com membros da oposição durante uma conferência de paz em Genebra, na Suíça. Como o encontro será mediado por Estados Unidos e Rússia, as diferenças latentes entre os dois lados deverão tomar conta do debate. Uma conferência anterior, em junho, durou apenas um dia, sem que nenhum sírio participasse.

(Com agência EFE)