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Espanhóis vão às urnas no domingo sob pressão da crise

Por Da Redação 19 nov 2011, 14h21

María Luisa González.

Madri, 19 nov (EFE).- Os espanhóis vivem neste sábado o dia de reflexão prévio as eleições gerais do domingo, que ocorrem marcados pela urgência de tirar o país da crise e de tranquilizar os mercados financeiros, com o opositor Partido Popular (PP) como claro favorito a vitória.

Conforme dados divulgados neste sábado pelo Governo, ao todo, 35.779.208 eleitores, 700 mil a mais que no pleito de 2008, estão aptos neste domingo para eleger 350 deputados e 208 senadores da 10ª legislatura.

O dia de reflexão representa 24 horas de descanso para os candidatos e eleitores após 15 dias de intensa campanha eleitoral e meses de pré-campanha, nos quais a crise econômica que atinge o país ofuscou qualquer outro debate.

Neste ano e pela primeira vez em uma década, a véspera da ida às urnas ocorre sem o registro de nenhum atentado terrorista da ETA, que em 20 de outubro anunciou o ‘fim definitivo de sua atividade armada’, após declarar em janeiro cessar-fogo permanente.

Essa nova circunstância, unida a gravidade da crise e ao risco que representou o assédio dos mercados financeiros sobre a dívida pública espanhola, relegou o terrorismo da ETA entre os temas da campanha.

O assunto central, a crise, traduzida em uma economia quase estagnada, com crescimento anual estimado de 0,8%, desemprego de 21,62% – mais do que o dobro da média europeia -, que sobe para 45% nos menores de 25 anos, será o principal motivo que guiará o voto, apontam as pesquisas, que preveem uma punição sem precedente ao governante Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

O conservador PP, que apresenta Mariano Rajoy como candidato à Presidência do Governo, parte com tudo a seu favor. As pesquisas preveem vitória dele por maioria absoluta. Uma das últimas pesquisas divulgadas, a do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), calcula entre 190 e 195 cadeiras para essa legenda em uma Câmara Baixa de 350.

O PSOE, do presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, que tem como candidato Alfredo Pérez Rubalcaba, deve perder as eleições ao conquistar entre 116 e 121 cadeiras, seu pior resultado.

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A diferença de 16 pontos, que aparece em praticamente todas as pesquisas, diminuiu a emoção da campanha eleitoral, na qual o candidato socialista se esforçou para tentar reverter às previsões e conquistar votos entre o eleitorado de esquerda desmotivado e decepcionado pela gestão do Governo da crise.

Para os analistas, a sorte está lançada há meses, já que as palpáveis consequências da crise eram insolúveis para o candidato socialista, que compartilhou responsabilidades de Governo com Zapatero como seu primeiro vice-presidente, ministro do Interior e porta-voz.

Apesar de tudo, o veterano dirigente socialista insiste em que nas urnas ‘votos são depósitos, não pesquisas’.

Seu principal rival, Mariano Rajoy, recebido em seu fechamento de campanha pelos colaboradores mais próximos e o ex-presidente do Governo José María Aznar (1996-2004), quem o escolheu como sucessor à frente do PP, já se comporta como próximo inquilino do Palácio da Moncloa.

Por isso, diante da complexa situação vivida na sexta-feira, quando o prêmio de risco espanhol rondou os 500 pontos, níveis que para outros países representou o resgate financeiro, ele pediu aos mercados ‘uma mínima margem’ de tempo para o próximo governante.

Ele advertiu ainda aos seus seguidores que quem vencer no domingo, ‘não amanhecerá na segunda-feira com tudo em ordem como num passe de mágica’.

Analistas espanhóis sustentam que de fato, e devido ao tempo de pré-campanha e a enorme brecha nas intenções de voto das pesquisas, os mercados financeiros ‘já descontaram’ a eventual vitória do líder opositor.

Além dos dois grandes partidos que juntos detêm 92% do Parlamento, outras forças tentam arranhar votos diante do clima de descontentamento geral por causa da crise.

Entre estes está a coalizão Esquerda Unida (IU), à qual as enquetes apontam com uma significativa alta, o Partido União, Progresso e Democracia (UPyD), e a nova formação de esquerda Equo, todas críticas ao atual sistema eleitoral espanhol que culpam por fomentar o bipartidarismo e favorecer as legendas de tendência nacionalista.

Está prevista que a recém-criada coalizão basca independentista Amaiur alcance número importante de votos após o anúncio da ETA do fim de sua atividade terrorista. EFE

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