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Espanha ordena extradição de ex-chefe da espionagem venezuelano aos EUA

Ex-general Hugo Armando Carvajal, conhecido como 'El Pollo' é acusado de tráfico de drogas pela Justiça americana

Por Da Redação 20 out 2021, 16h53

A Audiência Nacional, jurisdição espanhola encarregada de extradições, determinou nesta quarta-feira, 20, a entrega aos Estados Unidos do ex-general venezuelano Hugo Armando Carvajal, detido em Madri, após ter solicitação de asilo negada. Ex-oficial da inteligência da Venezuela, ele é acusado de tráfico de drogas pela Justiça americana e, caso seja condenado nos EUA, pode pegar prisão perpétua.

Ele pode ser extraditado já na “quarta ou quinta-feira”, segundo a agência de notícias AFP, com base em um porta-voz do tribunal. Ainda assim, Carvajal pode “apelar e solicitar medidas cautelares extremas”, o que paralisariam a entrega aos EUA.

Carvajal é considerado pelos EUA o fugitivo mais procurado por tráfico de drogas e, caso a extradição ocorra como planejado, será julgado por crimes equivalentes a pertencimento a uma organização criminosa ou colaboração com organização terrorista e tráfico de drogas de forma agravada.

Em meados de setembro, ele teve extradição suspensa pela Justiça espanhola até que o Ministério do Interior decidisse sobre pedido de asilo. Pouco depois, a pasta informou que tinha recusado o pedido e Carvajal recorreu imediatamente contra a recusa. No entanto, na terça-feira foi ratificado que o asilo não seria concedido, motivo pelo qual a extradição foi confirmada.

Conhecido pelo apelido “El Pollo”, Carvajal foi chefe da Inteligência de Hugo Chávez entre 2004 e 2011 e participou ao lado do líder na tentativa de golpe de Estado em 1992. Após a morte de Chávez, voltou a assumir o cargo para apoiar Nicolás Maduro, mas rompeu com o governo em 2019, depois de apoiar publicamente o opositor Juan Guaidó.

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Ele fugiu da Venezuela para a República Dominicana, de onde foi para a Espanha, onde foi preso duas vezes. Em 2019, ele chegou a ter pedido de extradição aprovado pela Audiência Nacional, depois de ser preso com documentação falsa.  Entretanto, a extradição não se concretizou, uma vez que o acusado não apareceu, pois estava em liberdade e depois em paradeiro desconhecido.

Quase dois anos após a fuga, Carvajal foi preso em setembro, em um apartamento em Madri que a polícia espanhola localizou com a ajuda da agência antidrogas americana. Para fugir das autoridades, ele mudava de endereço e fez cirurgias estéticas para mudar a aparência, além de usar diferentes barbas e perucas falsas. 

Após a detenção, Carvajal foi colocado em uma prisão de Madri, aguardando a extradição, e depois pediu para ser autorizado a depor perante o tribunal espanhol onde a sua extradição estava sendo processada, o que foi aceito pelo juiz encarregado do caso.

Inicialmente, Carvajal disse que falaria sobre questões de terrorismo internacional como ETA e FARC, mas durante o depoimento apontou para supostos pagamentos a ex-líderes do partido espanhol Podemos, aliado do Partido Socialista no governo espanhol, através da petroleira estatal venezuelana PDVSA.

Após esse primeiro comparecimento diante do juiz, Carvajal forneceu documentos ao tribunal com os quais pretende provar que tais políticos receberam pagamentos do governo venezuelano. Depois de entregar a documentação, foi convocado a comparecer à Audiência Nacional em 27 de outubro.

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