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Escola de cozinha popular tenta transformar sociedade peruana

Por Por Luis Jaime Cisneros - 6 out 2011, 18h58

“Todos podem ser cozinheiros” é o lema do Instituto de Cozinha Pachacútec, escola patrocinada pelo conhecido chef Gastón Acurio em um areal dentro do cinturão de pobreza que cerca Lima, que se tornou símbolo do papel social da gastronomia no Peru.

O Instituto, parte da revolução gastronômica que está transformando o Peru, apresenta um futuro melhor para dezenas de jovens pobres que tentam construir um futuro melhor como cozinheiros, em uma indústria sem barreiras sociais em um país marcado por desigualdades.

“Nosso objetivo é inserir meninos e meninas nas empresas que nos financiam”, disse à AFP Rocío Heredia, diretora da escola inaugurada em 2007 com o apoio da fundação ‘Ajude-nos a viver’ e de empresas espanholas.

A escola, uma pequena construção de tijolos, recebe o nome de uma área pobre com cerca de 100.000 casas no populoso bairro Ventanilla, no norte de Lima, onde não há água potável. Pachacútec também foi o imperador inca que no século XV construiu Machu Picchu.

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“Na escola ensinamos a eles que outro mundo é possível utilizando a cozinha como ferramenta de transformação social”, disse à AFP Heredia, resumindo a filosofia do criador da escola: Gastón Acurio, chef de 43 anos que lidera o boom da gastronomia “criolla”.

Acurio é a vanguarda de um movimento emergente que enche de orgulho os peruanos, reforçando a noção de identidade nacional em torno da gastronomia.

Na escola há cerca de 100 alunos que pagam 100 soles por mês (cerca de 35 dólares), quantia simbólica comparada aos 1.400 soles (500 dólares) que custaria estudar em uma escola particular.

Entre os pratos preparados estão o famoso cebiche (pescado marinado no limão), o tacutacu (mistura frita de arroz e feijão) e doces como a ‘mazamorra morada’ (com milho roxo).

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A mensagem de Acurio que inspira a escola é que os alunos devem aprender a desfrutar da cozinha e a descobrir novas coisas, afirma Heredia.

“Estar aqui mudou minha vida. Não apenas te ensinam a cozinhar, também te ensinam muitos valores”, disse à AFP a aluna Dalia Godoy, de 21 anos.

“Antes de cozinheiros, formamos boas pessoas. Tentamos reconciliá-los com uma sociedade que os agrediu desde muito jovens, armamos una estrutura moral muito sólida para que se tornem modelos de suas comunidades”, disse Acurio.

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