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Escócia vai às urnas para votar se continua no Reino Unido

Plebiscito sobre a independência do país começou hoje. Pesquisas indicam leve vantagem dos contrários à separação, mas resultado segue imprevisível

Mais de 4 milhões de escoceses vão às urnas nesta quinta-feira em um plebiscito histórico que pode encerrar um casamento de 307 anos entre Escócia e Reino Unido. No referendo, os eleitores responderão “sim” ou “não” à pergunta: “A Escócia deve ser um país independente?”. Caso decida pela independência, o país deixará de fazer parte do Reino Unido. A votação começou às 6h locais (3h de Brasília) e, apesar de as últimas pesquisas indicarem uma pequena vantagem dos contrários à separação, o resultado segue sendo imprevisível, já que muitos eleitores continuavam indecisos às vésperas do plebiscito. As urnas serão fechadas às 21h (18h de Brasília) e o resultado será conhecido na sexta-feira.

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Os levantamentos mais recentes publicados nos jornais britânicos apontavam uma disputa acirrada, com uma leve vantagem de quatro pontos para o “não” – 52% a 48%, excluindo os indecisos. Porém, com um índice que oscila entre 6% e 14%, são justamente os eleitores que ainda não tinham escolhido um lado que vão decidir o referendo. ​Cerca de 4,2 milhões de pessoas estão aptas para votar, incluindo ingleses e outros cidadãos do Reino Unido residentes na Escócia. Esta será a primeira vez que jovens acima de 16 anos poderão comparecer às urnas. Este grupo, formado por 124 mil escoceses, tende a ser mais inclinado a votar pela independência, segundo as pesquisas, enquanto os eleitores acima de 55 anos e as mulheres estão entre os principais partidários da união.

Entenda as questões envolvendo o plebiscito da Escócia

Campanha – A realização da consulta, acompanhada com atenção por muitos países da Europa – principalmente aqueles que abrigam regiões com anseios separatistas -, só foi possível graças ao acordo feito de outubro de 2012 entre o primeiro-ministro britânico David Cameron e Alex Salmond, premiê do Parlamento escocês. O pacto atendeu a um antigo pedido dos nacionalistas, mas por muito tempo a campanha pela independência pareceu fadada ao fracasso. Durante meses, o “não” contou com uma boa vantagem nas pesquisas e poucos consideravam que a separação fosse uma possibilidade concreta. Na reta final antes do referendo, no entanto, o jogo virou e os partidários da independência chegaram a aparecer na frente em um levantamento no início de setembro. Celebridades britânicas se manifestaram sobre a votação, com a escritora J.K. Rowling e o beatle Paul McCartney declarando apoio à união e o ator Sean Connery apoiando a independência. Política, a rainha Elizabeth II apenas pediu que os eleitores pensassem no voto “com cuidado”. Mesmo em caso de separação, os líderes nacionalistas escoceses pretendem conservar a rainha como chefe de Estado do país.

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Correndo o risco de passar pelo vexame de ser o premiê que perdeu a Escócia, Cameron se engajou nas últimas semanas na campanha pelo “sim” e até implorou aos escoceses para que permanecessem. Em um sinal de sua situação delicada, ele veio à público na quarta para dizer que não vai renunciar caso a opção pela independência triunfe. “Meu nome não está na cédula”, justificou. Londres também acenou com vantagens políticas à Escócia, como mais recursos e maior autonomia para o país. O resultado do plebiscito vai mostrar se esse esforço deu frutos.

(Com agência EFE)