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Erupções e chuvas complicam resgate de vítimas de vulcão na Guatemala

Tragédia já deixa 110 mortos e 197 desaparecidos. Muitas vítimas ainda não foram encontradas nove dias após erupção do Vulcão de Fogo

As autoridades da Guatemala suspenderam os resgates em San Miguel Los Lotes depois que o Vulcão de Fogo intensificou sua atividade e fortes chuvas provocaram deslizamentos de terra, mas os moradores seguem empenhados em encontrar seus familiares desaparecidos.

Um deslizamento provocado pelas chuvas de segunda-feira (11) à tarde arrastou material vulcânico e pedras que encheram parte da estrada que atravessa a “zona zero”, o que impede que brigadas de socorristas regressem ao local da tragédia.

Um pequeno grupo de moradores adentrava a área devastada, apesar das advertências constantes, com a intenção de seguir cavando para encontrar rastros de algum familiar vítima desta tragédia, que deixou 110 mortos e 197 desaparecidos, nove dias depois de San Miguel Los Lotes ser sepultado pelo material expelido pelo vulcão.

Os moradores utilizaram maquinaria pesada emprestada por empresas privadas para remover a areia que permanece a altas temperaturas e encontraram os restos de uma pessoa.

O instituto estatal encarregado de controlar a atividade do vulcão (Insivumeh) emitiu um relatório às 7h locais (10h em Brasília) desta terça-feira, 12, no qual informava a “descida de fluxos piroclásticos” e uma “cortina de cinzas” de até 6.000 metros de altura.

A entidade científica advertiu que a intensa atividade vulcânica pode se prolongar nas próximas horas e dias, de modo que recomenda à Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (Conred), encarregado da Defesa Civil, “tomar as precauções necessárias e estabelecer o nível de alerta que considere necessário”.

O organismo de Defesa Civil enfrenta duras críticas por não ter ordenado aos moradores dessa zona que abandonassem suas casas, segundo a versão de alguns sobreviventes. A Procuradoria informou que abriu uma investigação penal para determinar se houve negligência na gestão da tragédia.

O policial Donaldo Chután, de 45 anos, morreu na segunda-feira ao ser arrastado com seu carro pela cheia de um rio, provocada pelas intensas chuvas na zona, entre as aldeias de Chuchú, Guadalupe e El Zapote.

No veículo da Polícia Nacional Civil viajavam também três moradores e outros dois agentes que realizavam trabalhos de ajuda humanitária em povoados que ficaram incomunicáveis pela erupção do vulcão há nove dias.

A busca dos desaparecidos tem sido intermitente desde 3 de junho, o dia da catástrofe, pelo desprendimento de material vulcânico devido a uma fissura na cratera do vulcão.

(Com AFP)