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Erros técnicos e de pilotagem provocaram catástrofe de voo Rio-Paris

Por Da Redação
5 jul 2012, 14h39

Javier Albisu.

Le Bourget (França), 5 jul (EFE).- Uma soma de erros técnicos ligados à medição da velocidade do voo 447 da Air France, que fazia a toda Rio de Janeiro-Paris, confundiu a tripulação, que fez um diagnóstico incorreto e seguiu um protocolo inadequado que provocou a queda do avião, causando a morte de seus 228 ocupantes.

Esta é a principal conclusão do relatório final da análise técnica, apresentada nesta quinta-feira na cidade de Le Bourget, nos arredores da capital francesa, cinco dias antes que da divulgação do resultado da investigação judicial sobre a suposta responsabilidade por homicídio involuntário da companhia aérea Air France e da Airbus, fabricante da aeronave A330.

‘Se a tripulação tivesse compreendido bem a situação, poderia ter recuperado a trajetória’, afirmou em entrevista coletiva Alain Bouillard, diretor das pesquisas realizadas pelo Escritório de Investigação e Análise francês (BEA) sobre o acidente ocorrido na madrugada de 1º de junho de 2009.

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Naquela noite, depois de o avião ter decolado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, o comandante e os dois copilotos decidiram desviar ligeiramente a trajetória prevista para fugir de uma zona de tempestade.

Depois, em um ponto sem comunicação com terra sobre o oceano Atlântico, a cerca de 1.296 quilômetros de Recife, a aeronave caiu nas águas do Atlântico, causando a morte de 216 passageiros de 32 nacionalidades (em sua maioria brasileiros), nove aeromoças, o comandante e os dois copilotos.

O primeiro dos erros registrados foi o das sondas Pitot fabricadas pela empresa francesa Thales, que apresentaram uma ‘incoerência temporária entre as velocidades analisadas’ porque cristais de gelo as tinham obstruído. Foi o início do acidente, segundo o relatório.

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O avião da Air France ganhou então altitude, até chegar a 31 mil pés, o que provocou o desligamento do piloto automático e o acionamento do alarme enquanto um dos copilotos tinha o controle do avião, já que o comandante estava em seu intervalo de descanso.

Aquilo provocou um ‘efeito surpresa’ na tripulação, que reagiu com ‘ações inapropriadas sobre os comandos que desestabilizaram a trajetória’ de voo, ao invés de controlá-la.

Os analistas explicaram que, nos momentos iniciais de incerteza, os pilotos tomaram ‘ações bruscas e excessivas’, mas ainda não se sabe por que insistiram nelas, ignorando o alarme que indicava que o avião tinha entrado em fase de queda livre a partir de uma altitude de 38 mil pés e a uma velocidade de 11 mil pés por minuto.

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Apesar das ‘fortes vibrações’ e do alarme, a tripulação nunca entendeu que o aparelho estava em queda livre, por isso elevaram o bico do avião em demasia, desobedecendo os protocolos.

Talvez, se após o desligamento do mecanismo automático de voo a trajetória tivesse sido mantida, a tragédia teria sido evitada, segundo os técnicos.

Embora seja ‘muito difícil de estabelecer’, em casos similares, após a perda do piloto automático, a tripulação não fez nada e os aviões não se acidentaram, acrescentaram.

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Os responsáveis pela investigação passaram uma série de recomendações à comunidade aeronáutica, como corrigir os ‘pontos mortos’ de comunicação em certas etapas de voo, melhorar o realismo dos simuladores de treino e treinar adequadamente os pilotos na para enfrentar esse tipo de circunstância.

‘A dupla falha do procedimento de resposta mostra os limites do modelo atual de segurança’, afirmou o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.

A conclusão do BEA é que desde que o avião saiu da trajetória normal, a tripulação perdeu a noção da situação e se equivocou em suas decisões. A partir daí, a catástrofe era inevitável.

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No momento da queda livre em grande velocidade, só uma pilotagem similar ao de um especialista em aviões de combate poderia ter evitado a situação, mas nunca um aviador civil.

As famílias das vítimas, que desconfiam da investigação do organismo francês, pois acreditam que sua prioridade é isentar de culpa a Air France e a Airbus, criticaram o fato de a aeronave ter obtido as certificações oficiais e o de a tripulação não estar suficientemente treinada para situações extremas.

A Airbus informou em comunicado que tomará ‘todas as medidas necessárias que permitirão contribuir para o esforço coletivo em favor da otimização da segurança aérea’, e acrescentou que já começou a trabalhar ‘para reforçar as exigências relativas às sondas Pitot’.

A companhia aérea Air France, por sua vez, elogiou o ‘trabalho minucioso’ do BEA e ressaltou que a tripulação estava formada segundo a regulamentação e que o aparelho funcionou com base na certidão.

‘Nenhuma recomendação se dirige particularmente à Air France’, mas ‘ao conjunto da comunidade aeronáutica’, acrescentou o porta-voz da companhia aérea, que destacou que seu objetivo é fazer com ‘que a segurança seja melhor amanhã do que ontem’. EFE

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