Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Ernesto Araújo ataca ex-chanceleres críticos a sua gestão no Itamaraty

Pelas redes sociais, ministro respondeu a videoconferência com ex-integrantes dos governos Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer

Por Julia Braun Atualizado em 30 abr 2020, 10h41 - Publicado em 30 abr 2020, 10h05

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, atacou o ex-ministro Rubens Ricupero e outros ex-chanceleres que criticam a sua forma de conduzir a política externa brasileira. Esta foi a primeira vez que Araújo respondeu publicamente aos comentários do ex-ministro da Fazenda.

“Ex-chanceleres e ex-ministros despeitados decidiram criar o ‘grupo Ricupero’ para falar mal de nossa política externa, que está ajudando o Brasil a se livrar da corrupção, da promoção de ditaduras, ou da letargia medrosa que caracterizaram as políticas deles ou dos seus governos”, escreveu o chanceler em suas redes sociais.

View this post on Instagram

Ex-chanceleres e ex-ministros despeitados decidiram criar o “grupo Ricupero” para falar mal de nossa política externa, que está ajudando o Brasil a se livrar da corrupção, da promoção de ditaduras, ou da letargia medrosa que caracterizaram as políticas deles ou dos seus governos. O nome do grupo é dado por um de seus membros, Rubens Ricupero, que em 1994, quando Ministro da Fazenda, foi flagrado na parabólica confessando-se desonesto (“eu não tenho escrúpulos”) e enganador do povo (“o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”). Além disso, Ricupero foi membro do Conselho de Administração da Odebrecht de 2004 a 2018, durante o auge dos escândalos de corrupção. Será que, como membro do Conselho administrador desse ninho de corrupção nacional e internacional, durante 14 anos, Rubens Ricupero aplicou ali os seus elevados princípios morais? Será que teve escrúpulos? O fato de que quatro ex-Ministros se juntem num grupo, sob tão indigna inspiração, para atacar a mim, que sou apenas um, muito me honra. Dessa laia podem vir quatro, podem vir quarenta, e eu os enfrentarei feliz, fiel ao Presidente @jairmessiasbolsonaro e ao povo brasileiro 🇧🇷

A post shared by Ernesto Araújo (@ernesto.araujo.mre) on

Continua após a publicidade

Ex-ministros dos governos Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer promoveram um debate, via videoconferência, na noite de terça-feira 28, para analisar a política externa do Brasil sob a administração de Jair Bolsonaro. Organizada pela Brazil Conference, da Universidade Harvard, a discussão uniu os ex-chanceleres Celso Lafer, Rubens Ricupero, Celso Amorim e Aloysio Nunes, além do pesquisador Hussein Kalout.

No debate, os ex-chanceleres compartilharam da ideia de que sob a gestão de Ernesto Araújo, o Itamaraty deixou de ser um órgão orientado por critérios racionais e pragmáticos, e passou a ser muito mais influenciado por ideologias e por uma ideia de isolamento global.

ASSINE VEJA

Coronavírus: uma nova esperança A aposta no antiviral que já traz ótimos resultados contra a Covid-19, a pandemia eleitoral em Brasília e os fiéis de Bolsonaro. Leia nesta edição.
Clique e Assine

“O fato de que quatro ex-ministros se juntem num grupo, sob tão indigna inspiração, para atacar a mim, que sou apenas um, muito me honra. Dessa laia podem vir quatro, podem vir quarenta, e eu os enfrentarei feliz, fiel ao Presidente @jairmessiasbolsonaro e ao povo brasileiro”, disse o chanceler.

O ministro ainda compartilhou uma capa de VEJA de 7 de setembro de 1994 sobre o que ficou conhecido como o Escândalo da Parabólica. Em uma entrevista à Globo, Ricupero, então ministro da Fazenda, participou ao vivo ao Jornal Nacional para falar sobre o Plano Real, lançado no início daquele ano. Depois disso, a emissora aproveitou para gravar outra entrevista, para o Jornal da Globo. Enquanto os técnicos preparavam as câmeras, Ricupero e o jornalista Carlos Monforte conversaram, sem saber que estavam no ar.

  • “Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”, disse Ricupero ao jornalista. Na época, Fernando Henrique Cardoso estava em plena campanha ao Palácio do Planalto, e o ministro foi acusado pela oposição de usar a máquina pública para beneficiá-lo. Após o vazamento do áudio, Ricupero renunciou.

    Continua após a publicidade
    Publicidade