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Erdogan: lei francesa sobre genocídio armênio é ‘racista’

Primeiro-ministro turco ameaça a França com sanções em retaliação à decisão

A lei aprovada pelo Parlamento francês que pune a negação do genocídio armênio durante o Império Otomano é “discriminatória” e “racista”, declarou nesta terça-feira o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciando um “massacre da liberdade de pensamento”.

Entenda o caso

  1. • A França aprovou uma lei que pune com 1 ano de prisão e multa qualquer pessoa que negar a existência do ‘genocídio armênio’.
  2. • Os armênios afirmam que 1,5 milhão de pessoas foram assassinadas em 1915, durante I Guerra, na região do leste da Turquia; outros milhares foram deportados. Eles eram considerados inimigos e acusados de se aliarem com a Rússia.
  3. • O governo turco reconhece que cerca de 500.000 armênios morreram em combates e durante sua deportação, mas nega que as mortes tenham sido intencionais.


O Parlamento francês adotou definitivamente na segunda-feira, depois de uma última votação no Senado, um projeto de lei que pune com um ano de prisão e uma multa a negação do genocídio armênio, um termo rechaçado pela Turquia.

Erdogan afirmou que esta lei é completamente nula e sem valor para a Turquia e afirmou que seu país imporá “etapa por etapa” as sanções contra a França que havia anunciado, “sem voltar atrás”. “Vamos anunciar nosso plano de ação em função da evolução deste tema”, advertiu, afirmando que “a Turquia ainda está em uma etapa de paciência”.

França – O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que iniciou este projeto de lei que provocou uma grave crise entre Ancara e Paris, tem a princípio quinze dias para promulgá-lo. O chefe de governo turco, que em seu discurso utilizou em relação a Paris um tom mais moderado do que o esperado, manifestou a esperança de que a França “corrija seu erro”.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, pediu calma à Turquia. “Eu gostaria de pedir sangue frio a nossos amigos turcos e estender a mão a esse grande país, essa grande potência econômica, política”, declarou o chanceler à rede de televisão francesa Canal +. “Nós precisamos ter boas relações com a Turquia. Passada esta onda um pouco excessiva, é preciso dizer, estou convencido de que voltaremos a ter relações construtivas”, acrescentou.

(Com agência France-Presse)