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Erdogan ameaça manifestantes: ‘Acabou a tolerância’

Primeiro-ministro turco defendeu intervenção policial em praça de Istambul

Por Da Redação 11 jun 2013, 09h49

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou nesta terça-feira os manifestantes que protestam contra seu governo, dizendo que não dará mais provas de “tolerância”. Logo depois de a polícia dispersar ativistas com gás lacrimogêneo e retomar o controle da Praça Taksim, em Istambul, Erdogan afirmou que as manifestações foram usadas como justificativa para atos de vandalismo e que foram motivadas pela imprensa internacional e pelas redes sociais.

“Falo para aqueles que querem continuar com isso, que querem continuar aterrorizando: este assunto acabou. Não haverá mais tolerância”, afirmou o premiê no Parlamento de Ancara, diante dos deputados do seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

“Peço a todos os ativistas no Parque Gezi (vizinho à praça) que entendam o que se passa. Peço a todos que são honestos que abandonem esse lugar. Como primeiro-ministro, peço isso”, disse Erdogan, pouco depois de a polícia ter desocupado a praça. “Os meios de comunicação internacionais estão desinformando de forma sistemática. E, com as instituições de imprensa mal-intencionadas, aumentaram os protestos”, disse o premiê.

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Erdogan também defendeu a intervenção policial desta terça-feira. “O que os manifestantes esperam? Que nos ajoelhemos diante deles?”, disse aos parlamentares. Os manifestantes acusam o primeiro-ministro de liderar um governo cada vez mais autoritário e de impor valores islâmicos à população.

As declarações de Erdogan, mais uma vez, contrastam com a de membros de seu governo, como na semana passada, em que o vice-premiê, Bulent Arinc, pediu desculpas pela repressão truculenta aos protestos enquanto o primeiro-ministro garantia que “não iria ceder’. Nesta terça, o governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, disse em entrevista à imprensa que a intervenção policial na Praça Taksim ocorreu apenas para limpá-la dos cartazes e bandeiras, e prometeu que as forças da ordem não entrariam no Parque Gezi.

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“Há enfrentamentos com pequenos grupos marginais. Mas não houve grandes enfrentamentos. Agradeço àqueles no Parque Gezi que se afastaram dos outros grupos”, disse o governador. Mutlu acrescentou que a polícia permanecerá na Praça Taksim para não permitir o “retorno dos cartazes e bandeiras dos manifestantes”. “O centro cultural Atatürk (situado na praça) foi transformado em um muro de publicidade para todo tipo de organizações legais e ilegais. O povo ficou incomodado e, além disso, a imagem da Turquia ficou manchada no exterior”, afirmou o governador.

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O governador disse, ainda, que alguns manifestantes usam bombas de fumaça “para dar a impressão de que a polícia utiliza gás lacrimogêneo indiscriminadamente e, assim, prejudicar a imagem das forças da ordem”. Questionado sobre as informações da imprensa turca de que policiais à paisana provocam os manifestantes e lançam coquetéis molotov, o governador disse que trata-se de “uma mentira das redes sociais”.

Polícia – Para dispersar os manifestantes nesta terça-feira, a polícia utilizou veículos blindados, bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água. Por meio de alto-falantes, a polícia anunciou que não faria a retirada dos manifestantes reunidos no acampamento do Parque Gezi. Informou que apenas iria esvaziar a Praça Taksim e seus arredores, o que se confirmou pouco depois do início da operação.

Os protestos antigoverno na Turquia começaram após o anúncio da destruição do Parque Gezi para um projeto de urbanização (o local deve ser transformado em um centro de compras) – plano que será mantido, garantiu o premiê Recep Erdogan. No entanto, as manifestações acabaram se tornando uma expressão mais ampla do descontentamento popular com os planos de desenvolvimento urbano do governo, com o apoio aos rebeldes na vizinha Síria – que muitos acreditam ter feito o conflito chegar ao território turco – e também com medidas vistas como autoritárias, entre elas a recente restrição à venda de bebidas alcoólicas na madrugada e as advertências contra demonstrações públicas de afeto.

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Nas últimas duas semanas, três pessoas, incluindo um policial, morreram nas manifestações, e centenas ficaram feridas ou foram detidas. Há informações não confirmadas sobre uma quarta morte nos protestos. Os manifestantes pedem a libertação das pessoas detidas, o fim do projeto urbanístico da Praça Taksim, a proibição do uso de gás lacrimogêneo e mais respeito à liberdade de expressão. (Com agência EFE)

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