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Equador decide conceder asilo político a Julian Assange

Fundador do WikiLeaks está refugiado na embaixada do país na Grã-Bretanha

Por Da Redação 16 ago 2012, 09h49

O governo do Equador decidiu nesta quinta-feira conceder asilo político ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, dois meses depois que ele se refugiou em sua embaixada em Londres. O anúncio foi feito pelo ministro de Relações Exteriores do país sul-americano, Ricardo Patiño, que afirmou em entrevista coletiva que a decisão está baseada no direito internacional e considera que a vida de Assange corre perigo se ele for extraditado aos Estados Unidos. Mais cedo, a Grã-Bretanha comunicou que qualquer pedido de salvo-conduto para Assange seria negado, mesmo que o Equador lhe concedesse asilo.

Entenda o caso

  1. • Julian Assange é acusado de agressão sexual por duas mulheres da Suécia, mas nega os crimes, diz que as relações foram consensuais e que é vítima de perseguição.
  2. • Ele foi detido em 7 de dezembro de 2010, pouco depois que o site Wikileaks, do qual é o proprietário, divulgou milhares de documentos confidenciais da diplomacia americana que revelam métodos e práticas questionáveis de muitos governos – causando constrangimentos aos EUA.
  3. • O australiano estava em prisão domiciliar na Grã-Bretanha, até que em maio de 2012 a Justiça determinou sua extradição à Suécia; desde então, ele busca meios jurídicos para ter o caso reavaliado, com medo de que Estocolmo o envie aos EUA.

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Segundo Patiño, o Equador considera que, se Assange for levado para a prisão preventiva na Suécia, terá início uma série de eventos que impediriam evitar uma extradição para um terceiro país, como os Estados Unidos. “Caso aconteça uma extradição para os EUA, Assange não terá um julgamento justo e poderá ser julgado por tribunais especiais ou militares. Não é verossímil que receba um tratamento cruel e degradante, que seja condenado à prisão perpétua ou à pena capital. Não seriam respeitados seus direitos humanos”, disse o ministro, ao ler uma declaração na sede do ministério das Relações Exteriores em Quito.

O chanceler destacou que, após quase dois meses de “diálogo do nível mais elevado” com os governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Suécia, seu país tem “sérios indícios” da possibilidade de retaliações contra Assange, “que podem colocar em risco sua integridade, segurança e inclusive sua vida”. Nesta quinta, a polícia britânica reforçou a presença ao redor da embaixada do Equador em Londres. Alguns manifestantes pró-Assange passaram a noite diante da embaixada, alertados por um anúncio do governo equatoriano de que a embaixada estava sob ameaça de invasão. O Equador considerou a eventual ação “hostil e extrema”.

Histórico – O fundador do site WikiLeaks entrou na embaixada do Equador em Londres no dia 19 de junho, depois de esgotar todas as opções legais contra um pedido de extradição à Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. O australiano de 41 anos provocou a revolta do governo dos Estados Unidos depois que seu portal publicou milhares de documentos confidenciais, o que deixou em situação incômoda o serviço diplomático americano e de outros países em 2010. Assange teme que uma eventual deportação para a Suécia abra as portas para uma nova deportação, desta vez para os Estados Unidos, onde as acusações poderiam levá-lo à pena de morte.

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