Epidemia do Ebola ‘está vencendo’ e mata uma pessoa a cada 30 minutos, diz ONU
Organização anuncia aporte de US$ 30,5 milhões para combater avanço do vírus na República Democrática do Congo
O chefe de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, alertou, nesta sexta-feira, 14, que o Ebola “está vencendo” a resposta humanitária. O surto atual é o de crescimento mais rápido já registrado da doença e está a caminho de se tornar o mais mortal – matando uma pessoa a cada 30 minutos.
“Isto é um alerta”, disse o Sr. Fletcher. “Precisamos de rapidez, abrangência e solidariedade antes que este vírus nos ultrapasse ainda mais”, acrescentou.
Fletcher anunciou um aporte emergencial adicional de US$ 30,5 milhões para intensificar as ações de contenção do vírus na República Democrática do Congo, país mais afetado. A injeção financeira provém do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) da ONU e soma-se aos US$ 24 milhões que já haviam sido liberados anteriormente para a RDC e seus países vizinhos.
De acordo com Fletcher, para conter a propagação do vírus, a ONU e seus parceiros precisam dobrar as equipes de enterros seguros e dignos, triplicar a capacidade de tratamento, otimizar o rastreamento de contatos e mobilizar gestores mais experientes.
Para controlar o avanço do vírus, o escritório humanitário da ONU (OCHA) já deslocou mais 20 funcionários para a área mais afetada. No entanto, Fletcher admite que novos reforços possam ser necessários.
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Números da epidemia
O surto da variante Bundibugyo, declarado pelas autoridades nacionais em 15 de maio, já provocou a morte de 2.184 pessoas, o que representa uma taxa de letalidade de quase 47% dos infectados.
Até o momento, foram registrados mais de 4.660 casos da doença, distribuídos por seis das 26 províncias da RDC, com o país vizinho Uganda reportando outros 20 casos. A província de Ituri consolidou-se como o epicentro absoluto da crise, concentrando mais de 3.400 desses registros.
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Obstáculos
O combate à epidemia enfrenta graves obstáculos operacionais devido aos conflitos armados ativos no leste da RDC, onde o exército nacional enfrenta a milícia M23, apoiada por Ruanda, especialmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Esse cenário de violência armada complica diretamente a distribuição de água potável, itens de higiene e assistência médica básica às populações necessitadas.
Além da violência e da doença, a região leste enfrenta uma crise de fome devastadora, com 2,6 milhões de pessoas sofrendo de desnutrição grave — mais da metade dessas vítimas vive em Ituri.
Como parte da resposta humanitária, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) expandirá, a partir de sábado, 15, o fornecimento de refeições quentes para novos centros de tratamento e isolamento em Ituri e outras províncias.
Desde o fim de maio, a agência já distribuiu mais de 260.000 refeições quentes, porém os recursos continuam drasticamente escassos: os programas voltados para combater a insegurança alimentar contam atualmente com apenas 25% do financiamento necessário para as necessidades vitais.







