Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Enviado internacional para Síria reúne-se com Assad

Encontro ocorre um dia depois de ataque aéreo a padaria que deixou dezenas de mortos. Tentativas anteriores de negociação foram fracassadas

Por Da Redação - 24 dez 2012, 14h13

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, reuniu-se nesta segunda-feira em Damasco com o presidente Bashar Assad. O encontro ocorre no dia seguinte à morte de dezenas de pessoas em um ataque aéreo a uma padaria na cidade de Halfaya, no centro do país. Brahimi disse ter discutido “vários passos que devem ser tomados no futuro”, sem detalhar quais seriam as medidas a serem tomadas. Ele também pediu um acordo entre os protagonistas do conflito para acabar com a guerra civil.

“Assad expressou suas opiniões sobre a situação e eu relatei os meus encontros com líderes da região e do exterior”, disse o diplomata argelino, que fracassou em suas tentativas anteriores de alcançar um acordo de paz. Brahimi conversou recentemente com líderes americanos e russos, que têm posições divergentes sobre o conflito. Os Estados Unidos cobram a saída de Assad, enquanto a Rússia apoia o regime de Damasco – apesar de, na última semana, o presidente Vladimir Putin ter afirmado que não está preocupado com Assad.

A agência estatal Sana informou que Assad expressou seu apoio a “qualquer esforço a ser feito no interesse do povo sírio que preserve a soberania e a independência do país”.

Leia também:

Publicidade

Otan detecta novo lançamento de míssil na Síria

ONU alerta para combates sectários na Síria

Esta é a terceira visita de Brahimi a Damasco desde que foi nomeado para o cargo, em agosto. No entanto, ele tem conseguido poucos avanços na tentativa de buscar um fim para o conflito no país, que já dura 21 meses e já deixou mais de 44.000 mortos, segundo grupos de oposição. Em sua última visita à Síria, em outubro, o enviado internacional se reuniu com Assad e vários altos funcionários do governo sírio, com quem havia negociado um cessar-fogo para o período da festa muçulmana de Al-Adha – o cessar-fogo foi ignorado pelas partes em conflito.

Ataque – Ativistas culparam o governo pelo ataque aéreo deste domingo, na província de Hama. O número de mortos diverge, com o Observatório Sírio de Direitos Humanos apontando 60 vítimas, e outros grupos apontando mais de 90 mortos. Há cinco dias, o grupo rebelde Exército Livre da Síria declarou a cidade de Halfaya como área capturada pelos opositores do governo de Assad.

Publicidade

A troca de acusações continua do lado oficial. A agência Sana informou que o Exército interveio no local depois de um ataque de “terroristas” – como o governo designa os rebeldes. O Conselho Nacional Sírio (CNS), um dos principais integrantes da oposição, apontou a “comunidade internacional” como responsável pelo episódio, afirmando que o atentado prova que o regime “perdeu o controle do país”.

O grupo ativista Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que outros ataques aéreos ocorreram no domingo, incluindo um na cidade de Safira, no norte da província de Alepo, que deixou 13 mortos. Segundo a ONG opositora, mais de 180 pessoas foram mortas em todo o país no dia da chegada de Brahimi.

Gás letal – Nesta segunda, o OSDH acusou as tropas sírias de usar um gás mortal desconhecido contra os rebeldes em Homs, centro do país. Segundo a ONG opositora, seis rebeldes morreram depois de inalar o gás inodoro. “Não se trata de uma arma química, mas não sabemos se é proibida internacionalmente”, disse o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman.

(Com agência France-Presse)

Publicidade