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Enviado da ONU para Síria chega ao Cairo para missão

Conflitos continuam em Alepo com fortes bombardeios em bairros civis

Por Da Redação 10 set 2012, 12h28

O novo enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe à Síria, Lakhdar Brahimi, chegou nesta segunda-feira ao Cairo, no Egito, para iniciar a missão de paz depois de 18 meses de conflitos que mataram mais de 20.000 pessoas. Brahimi, um argelino, está no cargo há nove dias após a renúncia de Kofi Annan, e já reconheceu que a tarefa é árdua. Seu antecessor se demitiu por ver seus esforços fracassarem várias vezes seguidas.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Na agenda de Brahimi no Egito, estão programadas reuniões com o presidente egípcio, Mohammed Mursi, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Al Arabi, e integrantes da oposição da Síria. Mursi, um dos críticos do ditador Bashar Assad, recentemente irritou o governo sírio ao dizer na Cúpula dos Países Não-Alinhados em Teerã (capital do Irã, um dos poucos aliados da Síria) que a revolta no país é uma “revolução contra um regime opressor”.

Conflitos – Enquanto isso, Alepo, a segunda maior cidade síria, é palco da principal disputa entre as forças de Assad e a oposição – somente nesta segunda-feira, 17 pessoas já morreram e 40 ficaram feridas. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os bairros de Souk Al Hal, Tariq Al Bab e Hanano estão sob intenso bombardeio.

ONU – Também nesta segunda-feira, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que ambos os lados no conflito sírio são culpados por violações aos direitos humanos e deveriam encarar a Justiça. “Estou igualmente preocupada com violações das forças contra o governo, incluindo assassinatos, execuções extra-judiciais e tortura, bem como o recente aumento no uso de equipamentos explosivos improvisados.”

Falando para os 47 membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Pillay reiterou que as ações do governo sírio podem ser consideradas como crimes de guerra e crimes contra a humanidade. “O uso de armamento pesado pelo governo e os bombardeios em regiões habitadas resultaram em um alto número de mortes de civis, grandes deslocamentos de civis dentro e para fora do país e uma devastadora crise humanitária”, disse.

Pillay, ex-juíza de crimes de guerra da ONU, pediu repetidas vezes que a Síria seja encaminhada ao Tribunal Penal Internacional, mas tal encaminhamento só pode ser efetivado pelo Conselho de Segurança da ONU, que está dividido sobre como lidar com a Síria, já que China e Rússia se opõem a qualquer tentativa de sancionar o regime de Bashar Assad.

(Com agência Reuters)

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