Entenda crise que fez Zelensky demitir ministro da Defesa e chefe do Exército em plena guerra
Troca no comando militar ocorre após onda de protestos varrer as ruas de Kiev e outras cidades da Ucrânia
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, demitiu o comandante-chefe do Exército, Oleksandr Syrskyi, na terça-feira 21, encerrando dias de especulação e atendendo, ao menos em parte, às reivindicações de uma onda de protestos que tomou as ruas de Kiev e de outras cidades do país. O general foi substituído por Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, um veterano de combate.
Em mensagem publicada no Telegram, Zelensky agradeceu a Syrskyi pelo trabalho à frente do Exército e confirmou a nomeação de Drapatyi. “Sou grato a Oleksandr Syrskyi e a cada um de nossos combatentes pelas sólidas posições da Ucrânia na linha de frente”, escreveu.
Crise política
A troca no comando militar ocorre em meio a uma crise política iniciada na semana passada, quando Zelensky demitiu o popular ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov. Logo após sua saída, surgiram relatos de que a demissão teria sido provocada por uma disputa com Syrskyi.
Fedorov chegou a confirmar que havia divergências com o militar. “Quando o presidente disse que não pretendia substituir Syrskyi, respondi que aprenderia a trabalhar com ele”, disse ele em entrevista coletiva. “Mas todas as iniciativas que propusemos foram bloqueadas.”
Syrskyi, no entanto, negou estar em conflito com o então ministro, afirmando que via a relação entre ambos como estritamente profissional e chegou a pedir desculpas caso tivesse ofendido o então ministro.
Fedorov, de 35 anos, ocupava o cargo desde janeiro e ganhou prestígio por acelerar reformas no Ministério da Defesa, ampliar o uso de tecnologia no campo de batalha e intensificar ações de combate à corrupção. Ex-ministro da Transformação Digital, ele liderou iniciativas como o programa “Exército de Drones”, que incentivou o desenvolvimento de sistemas não tripulados.
Onda de protestos
A saída do ministro provocou reações dentro das Forças Armadas. O vice-comandante da Força Aérea, Pavlo Yelizarov, anunciou sua renúncia em protesto, classificando a exoneração como “um grande mal para a capacidade de defesa do país”.
Nos dias seguintes, milhares de ucranianos protestaram exigindo a volta de Fedorov e a saída de Syrskyi. Nesta segunda-feira, os organizadores dos atos deram um ultimato a Zelensky, ameaçando iniciar paralisações massivas e por tempo indeterminado caso suas exigências não sejam atendidas até esta sexta-feira.
“Se, até sexta-feira, 24 de julho, Syrskyi não tiver sido demitido e Federov não tiver sido nomeado para o cargo de Ministro da Defesa começaremos um protesto nacional aberto”, escreveu o veterano do exército Dmytro Koziatynsky em um post no Instagram.







