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Engenheiro russo condenado a 13 anos de prisão por espionagem

Um engenheiro do setor espacial russo foi condenado a 13 anos de prisão por ter transmitido à CIA informações secretas russas, em um caso revelado sobre um fundo anti-americano crescente.

O tenente-coronel Vladimir Nesterets, do cosmódromo russo de Plessetsk (noroeste), “reconheceu sua culpa em transmitir, em troca de remuneração, informações sobre mísseis estratégicos russos de última geração que constituem segredo de Estado”, informou o FSB em um comunicado.

“Nesterets foi condenado por alta traição”, prosseguiu o FSB. Ele também perdeu sua patente militar.

A sentença foi proferida por um tribunal militar após um julgamento a portas fechadas. O caso se tornou público nesta sexta-feira.

O FSB não explicou que tipos de mísseis o engenheiro testava.

Segundo analistas russos, o vazamento de informações de Plessetsk poderá prejudicar os programas russos. Este cosmódromo era usado para testar os mísseis altamente sofisticados Topol-M e RAPs.

“Plessetsk é o principal centro de lançamentos de mísseis estratégicos. Todos os sistemas móveis modernos ou mísseis antigos com ogivas novas foram lançados e testados lá”, ressalta o especialista militar independente Pavel Felgenhauer.

Três dias antes da condenação, o presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou diante do FSB que os serviços russos desmascararam, só no ano passado, 199 espiões, entre eles cidadãos russos.

“Esses números mostram que as atividades dos serviços especiais internacionais não diminuíram”, ressaltou o presidente russo.

“Eles estão interessados em nossa vida econômica, na política interna e sobre uma série de outros assuntos”, acrescentou.

A Rússia geralmente revela casos de espionagem no momento de tensões diplomáticas com o Ocidente.

Moscou realiza uma verdadeira queda de braço com os Estados Unidos e com a Europa sobre o conflito sírio. O país vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava a repressão do regime de Assad. A Rússia também denuncia sistematicamente o projeto de escudo antimíssil americano na Europa.

Em outubro, os serviços especiais russos anunciaram, um ano depois do acontecido, a prisão de um espião chinês que tentava obter informações sobre mísseis russos S-300.

“Casos como estes não são revelados quando tudo está bem. As prisões acontecem, mas ficam em silêncio”, explicou Pavel Felgenhauer.

Alexandre Konovalov, do centro de avaliação estratégica observa “um aumento da espionagem” na Rússia, a três semanas da eleição presidencial russa, na qual o ex-agente da KGB é o favorito.

O homem forte do país acusou, em várias ocasiões, os organizadores de grandes manifestações contra seu regime e os observadores independentes de servirem aos Estados Unidos.

“O anti-americanismo voltou à moda”, constata Konovalov.