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Enchentes históricas deixam mais de 100 mortos na Rússia

Arturo Escarda.

Moscou, 7 jul (EFE).- As equipes de socorro da Rússia resgataram mais de 100 corpos neste sábado no sul do país, no litoral do Mar Negro, após inundações sem precedentes causadas por fortes chuvas que atingiram a região de Krasnodar.

O litoral da cidade de Kuban, que todos os anos recebe centenas de milhares de turistas russos, se transformou em uma armadilha mortal para alguns habitantes dos distritos de Krimsk e Gelendzhik, onde milhares de pessoas perderam tudo nas últimas 24 horas.

Só no distrito de Krimsk, os serviços de resgate localizaram corpos de 92 pessoas, entre elas uma criança de dez anos, informou à Agência Efe um porta-voz do centro de emergências interministerial organizado pelas autoridades russas.

Duas pessoas se afogaram na cidade de Novorossiysk, o maior porto russo do Mar Negro, ao passo que outras nove morreram em distintas localidades do distrito balneário de Gelendzhik.

Na cidade de Gelendzhik, um dos balneários mais populares da Rússia no Mar Negro, cinco pessoas – três homens e uma mulher – morreram eletrocutados devido à queda de um cabo de energia sobre a rua por onde transitavam quando chovia, enquanto outro homem morreu afogado.

Entre os mortos na cidade de Krimsk – marco zero da catástrofe humana que vive o sul do país – predominam as idosos , segundo os registros preliminares de vítimas administrados pelas autoridades.

‘Quase todos os mortos são mulheres’, lamentou em entrevista à agência de notícias ‘Interfax’ um funcionário do Ministério de Interior russo.

Em Gelendzhik, cidade de 90 mil habitantes situada aos pés de uma montanha onde cerca de 300 mil russos aproveitavam as férias até agora, as chuvas superaram os registros frequentes para cinco meses em apenas algumas horas, segundo o governo regional.

‘A água caía com força total das encostas da montanha e varria tudo por onde passava’, relatou uma testemunha da tragédia à televisão russa.

Dois corpos, os de um homem e uma mulher, foram encontrados no porão de uma casa da cidade litorânea de Divnomorskoye, também em Gelendzhik.

A tragédia também deixou mais de 90 feridos, 40 dos quais foram hospitalizados, entre eles 14 menores de idade, disse a ministra da Saúde russa, Veronika Skvortsova.

A água arrasou as casas e terrenos de aproximadamente 13 mil pessoas, manifestou em reunião de emergência o governador de Krasnodar, Alexander Tkachyov.

O governo regional calcula que o custo dos danos possa superar 1 bilhão de rublos (mais de US$ 30 milhões).

Cerca de 2 mil casas foram soterradas em Gelendzhik e outras 5 mil em Krimsk, onde o nível de água caiu nas últimas horas após ter alcançado 4 metros, segundo testemunhas citadas pelas autoridades.

As ruas da cidade de Krimsk se tornaram rios e só se podia ter acesso à cidade em lanchas ou helicópteros, segundo o canal de televisão ‘NTV’.

Alguns habitantes da cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes, denunciaram que a cidade foi abatida por uma onda de mais de sete metros que, segundo eles, não pôde se dever às chuvas.

Muitos acreditam que a água teria caído de um pântano artificial próximo à cidade, mas as autoridades russas descartam essa hipótese.

Rios transbordados, relevo montanhoso propício para o fluxo de água e esgotos obstruídos são as causas mais prováveis do alcance das inundações em Krimsk, segundo o Ministério de Emergências russo.

Enquanto isso, os serviços de resgate trabalham em Krimsk para limpar a cidade, eliminar os danos e realojar os desabrigados que não podem voltar a suas casas, destacou Tkachyov.

‘Krimsk está sem eletricidade para evitar acidentes. Organizamos acampamentos com capacidade para mil pessoas para alojar todos os desabrigados. Ajudaremos todo mundo’, disse o governador de Krasnodar.

A situação é muito mais tranquila no distrito vizinho de Gelendzhik, onde quase todos os habitantes passaram horas sem eletricidade, desligada por segurança após as eletrocuções que cinco pessoas sofreram. EFE