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Empossado governo de união palestino apoiado pelo Hamas

Gabinete foi formado após acordo entre terroristas e facção liderada por Abbas

O novo governo de união nacional palestino, um gabinete apoiado pela organização terrorista Hamas e composto por personalidades independentes, prestou juramento nesta segunda-feira ante o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. Os EUA manifestaram que vão aguardar as ações do novo governo para avaliá-lo. Os israelenses, que se opõem a qualquer participação do Hamas, decidiram endurecer sua posição com os palestinos.

“Com a formação do governo de união nacional, anunciamos o fim da divisão palestina, que tanto tem prejudicado a causa nacional”, declarou Abbas na Muqata, sede da presidência palestina em Ramallah (Cisjordânia), depois de dar posse aos ministros.

Com dezessete ministros, cinco deles de Gaza, este é um Executivo de transição, que terá como missão prioritária a convocação de eleições até o fim do ano. O gabinete de “consenso” vai ser dirigido pelo primeiro-ministro Rami Hamdalah.

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Em 23 de abril, o Hamas e o grupo nacionalista palestino Fatah, ligado a Abbas, assinaram um acordo de reconciliação para acabar com a divisão política que divide os territórios palestinos. Enquanto a Autoridade Palestina administra parte da Cisjordânia, o Hamas controla a Faixa de Gaza. A fratura ocorreu em 2007, quando após meses de atos violentos, os terroristas assumiram o controle da Faixa de Gaza depois de enfrentar as forças leais a Abbas.

O presidente Abbas prometeu que o novo governo rejeitaria a violência, reconheceria Israel e respeitaria os compromissos internacionais para convencer a comunidade internacional de sua vontade de estar em paz com Israel.

No domingo, ele recebeu uma ligação do secretário de Estado americano, John Kerry, e o informou sobre os últimos avanços. Garantiu que o novo governo não tem nenhum ministro do Fatah ou do Hamas, segundo uma fonte palestina.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu à comunidade internacional que “não se precipite” em reconhecer um governo palestino apoiado pelo Hamas e criticou a ambiguidade da Europa.

“O terrorismo islâmico volta a levantar a cabeça na Europa. Tivemos a ilustração com o horrível crime cometido no Museu Judeu em Bruxelas”, disse.

O gabinete de segurança de Israel se reuniu durante a madrugada e confirmou a decisão de não negociar com a Autoridade Palestina enquanto persistir o acordo com o Hamas. O gabinete também autorizou o governo de impor novas sanções contras os palestinos.

Washington — O governo dos Estados Unidos expressou nesta segunda-feira sua disposição a trabalhar com o novo governo palestino de reconciliação. “Baseado no que vimos até agora, temos a intenção de trabalhar com o novo governo palestino”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaky, que acrescentou que Washington observará ‘de perto’ a situação.

“Parece que o presidente Abbas formou um governo tecnocrático interino que não inclui ministros filiados ao Hamas”, disse. “Julgaremos este governo por suas ações”, comentou Psaki.

(Com agências EFE e France-Presse)