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Emissário russo é recebido por Assad em dia com seis mortes na Síria

Por Joseph Eid 29 ago 2011, 15h53

Seis pessoas foram mortas nesta segunda-feira na Síria, para onde a Rússia enviou um emissário depois de ter se oposto no Conselho de Segurança da ONU a sanções contra o regime.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) confirmou a morte de cinco vítimas da repressão em Sarmin, próximo à Edleb (noroeste), em uma operação de perseguição realizada pelas forças de segurança e o exército sírio.

Segundo o presidente do OSDH, Rami Abdel Rahmane, entre os assassinados está uma criança e uma pessoa que foi soterrada por sua casa, que desabou por causa da artilharia pesada. Outras 60 pessoas foram feridas por balas nessa operação.

Um sexto homem morreu em Qara, perto de Damasco, quando as forças de segurança invadiram sua residência, segundo um comunicado do Comitê de Coordenação da Contestação líbia.

Tanques, veículos de transporte de tropas e veículos militares entraram na segunda-feira pela manhã na cidade de Hit, a 2 km da fronteira norte do Líbano, segundo o OSDH.

Pelo menos 12 famílias desta região se refugiaram no norte do Líbano, afirmou à AFP o motorista.

As incursões do Exército e das forças de segurança contradizem o que foi dito por Bashar al-Assad no dia 17 de agosto quando afirmou ao secretário das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que as operações militares contra a oposição “acabaram” em seu país.

Segundo a agência oficial de notícias Sana, o procurador-geral de Hama, Adnane Bacour, seu motorista e seu segurança foram capturados por sete homens armados e levados para fora da cidade no momento em que voltava do trabalho. O Exército retomou o controle de Hama no início do mês, onde a revolta cresceu muito.

Na página do Facebook “Syrian revolution 2011” existe um apelo para que as pessoas se manifestem após as preces do Aïd, terça ou quarta-feira. Enfrentando desde o dia 15 de março por uma onda de contestação sem precedentes ao seu regime, Bashar al-Assad recebeu nesta segunda-feira um emissário russo. Moscou, aliado do regime sírio, trava atualmente uma queda de braço com o Ocidente em relação às sanções contra Damasco.

“A posição da Rússia em relação à Síria continua estável”, declarou o emissário após a reunião com o chefe da diplomacia síria Walid Mouallem.

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“O emissário reafirmou o apoio de seu país às reformas implementadas na Síria nos campos da política e da economia, e se mostrou esperançoso de manter a segurança e estabilidade do país”, publicou a agência Sana depois da entrevista entre Bogdanov e o presidente sírio.

O diplomata russo insistiu na “importância de manter a coordenação entre os dois países em todos os domínios”.

Durante o encontro, o presidente Assad ressaltou “sua estima pela posição equilibrada da Rússia em relação ao desenvolvimento da Síria”, segundo a Sana.

Moscou, que se contenta em pedir que o presidente Assad acelere as reformas, deu a entender que poderá vetar todas as resoluções de sanções que serão votadas.

O projeto europeu, apresentado ao Conselho de Segurança por França, Reino Unido, Alemanha e Portugal e apoiado pelos Estados Unidos, pede o congelamento dos bens financeiros do presidente Assad e de pessoas próximas, além de embargo às armas.

A Rússia indicou que o momento não é o de impor medidas punitivas a Damasco em resposta à repressão do movimento opositor, que, segundo a ONU, já custou a vida de mais de 2.200 pessoas, na maioria civis.

Em contrapartida, a União Europeia está pronta para acionar um embargo sobre as importações de petróleo sírio em razão da violenta repressão do regime ao movimento de contestação do país, afirmou à AFP fontes diplomáticas europeias durante uma reunião de especialistas em Bruxelas.

Esta medida terá um impacto direto: a União Europeia compra 95% do petróleo exportado pela Síria, o que representa um terço da receita do país.

Negociações continuam para decidir sobre a necessidade de um embargo complementar sobre os investimentos no setor petrolífero sírio.

O Irã, outro aliado tradicional da Síria, negou qualquer participação na repressão, mas criticou as sanções da União Europeia à unidade Quds (forças especiais da Guarda Revolucionária), acusadas de auxiliar o regime sírio na repressão às manifestações.

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