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Emirados Árabes querem usar COP28 para fechar acordos de gás e petróleo

Documentos publicados pela BBC mostram planos de negociar combustíveis fósseis, incluindo com Brasil, às margens de encontro sobre clima

Por Da Redação
Atualizado em 30 nov 2023, 16h38 - Publicado em 29 nov 2023, 18h42

Os Emirados Árabes devem usar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28), que começa nesta quinta-feira, 30, em Dubai, capital do país, como um cenário para a promoção de acordos de petróleo e gás, de acordo com documentos vazados obtidos mídia estatal britânica BBC.

Os documentos, segundo a BBC, revelaram os planos dos anfitriões para discutir acordos relacionados aos combustíveis fósseis  ao longo das rodadas de negociações climáticas com 15 nações — inclusive o Brasil.

As autoridades dos Emirados Árabes não negaram o uso da COP28 com essa finalidade, ressaltando que  “reuniões privadas são privadas”. Com isso, elas se limitaram a dizer que o trabalho se concentra em “ações climáticas significativas”.

+ Por que o Acre vai apresentar avanço em preservação da Amazônia na COP28

O órgão da ONU que comanda a Cúpula sobre Mudanças Climáticas disse que espera imparcialidade e isenção dos donos da casa, em resposta à BBC.

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Os documentos vazados abarcam um resumo do que deve ser tratado em cada reunião que o presidente da COP28, Sultan al-Jaber, vai ter com ministros e o que ele deve focar para que os Emirados Árabes para avancem nas negociações sobre o clima.

Além disso, os documentos incluem propostas e “pontos de discussão” elaborados por representantes da petrolífera estatal Adnoc ou pela também estatal Masdar, do ramo de energia renovável.

  • Para a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, seria solicitada uma ajuda para “garantir o alinhamento e o endosso” em relação a uma oferta da Adnoc para a compra de parte da maior empresa petroquímica da América Latina — a Braskem. No início deste mês, a Adnoc fez uma oferta de US$ 2,1 bilhões (R$ 10,3 bilhões) para adquirir uma participação importante na Braskem.
  • Sobre a Alemanha, a Adnoc escreveu no relatório de preparação: “Estamos prontos para continuar o nosso fornecimento de gás natural liquefeito (GNL)”.
  • A Adnoc sugeriu que as nações produtoras de petróleo da Arábia Saudita e da Venezuela fossem informadas de que “não há conflito entre o desenvolvimento sustentável com o uso de recursos naturais de qualquer país e o compromisso com as alterações climáticas”.
  • O presidente da COP28 foi instruído a “buscar apoio governamental” do Reino Unido para ampliar o tamanho de um parque eólico na costa do condado de Norfolk, onde a Masdar tem participação.

+ COP28: o que estará em pauta na cúpula das Nações Unidas sobre clima

O que esperar da COP28?

O encontro dura duas semanas e promete fazer um balanço do progresso de nações nas metas climáticas e pôr em xeque o futuro dos combustíveis fósseis. Um dos maiores desafios é de encontrar um denominador comum entre dezenas de países para frear o aquecimento do planeta.

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A revisão do Acordo de Paris de 2015, cuja meta era manter – em uma década, ou seja, até 2025 – o aumento da temperatura global a menos de 2ºC acima dos níveis pré-Revolução Industrial, também promete compor o debate. Isso pode incluir medidas urgentes, como a redução imediata de emissões de CO2 na atmosfera ou o aumento de investimentos em tecnologias verdes, para acelerar a transição a uma economia de baixo carbono.

A liderança da COP28 ficará a cargo de al-Jaber. Nos últimos tempos, ele tem enfrentado críticas por acumular as funções de líder das estatais de petróleo e gás e, ao mesmo tempo, tocar as negociações que ditarão o futuro do planeta.

Uma das funções do presidente das negociações sobre o clima é de encorajar os países a serem ambiciosos nos esforços para reduzir ao máximo as emissões dos gases do efeito estufa, algo que pode ser comprometido pelo conflito de interesses do atual mandatário.

O evento este ano vai contar com a presença de 167 líderes mundiais. As baixas confirmadas são dos presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Joe Biden, líderes dos maiores emissores de carbono do mundo. O Brasil, por sua vez, enviou a maior comitiva de sua história ao longo de todas as conferências climáticas organizadas pela ONU.

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