Emirados Árabes dizem que ataque em voo da Flydubai para Israel foi ‘ato terrorista’
Conselheiro do presidente, Anwar Gargash foi o primeiro a classificar dessa forma o incidente em que copiloto esfaqueou comandante; Investigação continua
Uma autoridade de alto escalão dos Emirados Árabes Unidos classificou, nesta sexta-feira, 2, como “ato terrorista” o ataque a facadas que ocorreu há dois dias em um voo da Flydubai com destino à Israel. Anwar Gargash, conselheiro do presidente Mohammed bin Zayed, foi o primeiro líder sênior emirati a rotular o incidente publicamente dessa forma.
Em postagem no X, antigo Twitter, o representante amirati alertou contra visões simplificadas e teorias conspiratórias sobre o incidente. Gargash também elogiou a atitude do comandante indiano Smit Machchhar, que sofreu múltiplos golpes de faca desferidos pelo copiloto durante o ataque na cabine.
Segundo a autoridade emirati, mesmo gravemente ferido, Machchhar destravou a porta do espaço, permitindo que três passageiros israelenses imobilizassem o agressor até que tripulantes fora de serviço realizassem um pouso de emergência na Arábia Saudita.
Em sua publicação, Gargash também defendeu a vigilância contínua contra ideologias extremistas e alertou para interpretações simplistas sobre o caso.
‘Tragédia semelhante ao 11 de setembro’
Após as declarações de Gargash, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou um pronunciamento em vídeo afirmando que os detalhes do caso estão se tornando “cada vez mais claros”.
O líder israelense afirmou que tripulantes e passageiros evitaram uma tragédia semelhante aos atentados de 11 de Setembro, alegando que o copiloto passou por um processo de radicalização islâmica com o objetivo explícito de derrubar o avião junto com os passageiros.
Netayahu disse ainda que a investigação conduzida por Israel busca entender se o copiloto cumpria ordens de alguma organização externa, prometendo punição severa a quem estivesse por trás do ataque. Além disso, o premiê reforçou que autoridades israelenses pretendem participar das apurações lideradas pelos Emirados e interrogar o suspeito para analisar suas motivações e histórico.
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes não se manifestou de imediato sobre a presença de investigadores israelenses nos interrogatórios. O governo israelense declarou que ainda não sabe se houve alguma ligação do ataque com o Irã e Netanyahu afirmouu que ainda é cedo para conclusões definitivas.
Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou a possibilidade de envolvimento de Teerã com base em informaçõees recebidas por ele, mas enfatizou que as investigações continuam em andamento.
Apesar da falta de uma conclusão definitiva sobre o caso, a investigação do governo israelense apontava, até quinta-feira, para uma atuação solitária do copiloto.
Vantagens políticas
Uma fonte ligada ao governo emirati, ouvida pela emissora israelense Canal 12, relatou que Israel estaria usando o episódio para obter vantagens políticas, prejudicando a operação da Flydubai e transmitindo a falsa impressão de que os Emirados estariam em guerra.
“Os emiratis não compreendem a conduta de Israel; a sensação deles é de que a questão está sendo movida pelas eleições, e não pela lógica”, disse a fonte, segundo o Canal 12.
Os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação sobre o caso. Segundo a agência de notícias estatal dos Emirados, a WAM, a investigação busca determinar se o episódio teve relação com alguma “atividade ou tentativa terrorista” e se houve planejamento prévio. O país afirma ter jurisdição sobre o caso porque o avião é registrado nos Emirados e opera sob sua bandeira.
Entenda o caso
Um voo da companhia aérea Flydubai, que partiu de Dubai com destino a Israel transportando 174 pessoas fez um pouso de emergência na cidade de Tabuk, na Arábia Saudita, após o copiloto esfaquear o comandante da aeronave. O ataque ocorreu na quarta-feira 30, cerca de duas horas e meia após a decolagem.
Segundo a agência de notícias Reuters, o comandante, o indiano Smit Machchhar, conseguiu destravar a porta da cabine mesmo depois de ser gravemente ferido, permitindo que passageiros entrassem e imobilizassem o copiloto. Uma tripulação reserva que viajava no avião conseguiu então conduzir a aeronave até o pouso na Arábia Saudita.
O voo FZ1073 partiu de Dubai com destino a Tel Aviv e mudou de rota enquanto sobrevoava a Jordânia. Segundo o site de monitoramento Flightradar24, a aeronave transmitiu inicialmente um sinal geral de emergência e, minutos depois, outro alerta que indicava uma possível interferência ilícita na aeronave.
Dados de rastreamento indicam que o avião chegou a perder quase 14.000 pés (mais de 4.000 metros) de altitude em menos de 30 segundos antes de se estabilizar.
Tanto o copiloto quanto o comandante foram hospitalizados após o pouso, enquanto os passageiros receberam atendimento no terminal do aeroporto, de acordo com as autoridades sauditas.
Passageiros relataram momentos de pânico durante a briga. Uma mulher que estava a bordo afirmou ao canal israelense i24 que o avião estava “completamente fora de controle”.
“Nós apenas ouvimos gritos. A porta da cabine se abriu e vimos uma enorme quantidade de sangue”, disse a passageira, identificada apenas como Miriam, ao canal. “Houve momentos em que todos nós aqui tínhamos certeza de que não sairíamos vivos”, acrescentou.





