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Emirados Árabes dizem que ataque em voo da Flydubai para Israel foi ‘ato terrorista’

Conselheiro do presidente, Anwar Gargash foi o primeiro a classificar dessa forma o incidente em que copiloto esfaqueou comandante; Investigação continua

Por Luiza Zubelli 2 out 2026, 16h06 | Atualizado em 6 out 2026, 09h53
Emirados Árabes dizem que ataque em voo da Flydubai para Israel foi ‘ato terrorista’ Priorize VEJA no Google

Uma autoridade de alto escalão dos Emirados Árabes Unidos classificou, nesta sexta-feira, 2, como “ato terrorista” o ataque a facadas que ocorreu há dois dias em um voo da Flydubai com destino à Israel. Anwar Gargash, conselheiro do presidente Mohammed bin Zayed, foi o primeiro líder sênior emirati a rotular o incidente publicamente dessa forma.

Em postagem no X, antigo Twitter, o representante amirati alertou contra visões simplificadas e teorias conspiratórias sobre o incidente. Gargash também elogiou a atitude do comandante indiano Smit Machchhar, que sofreu múltiplos golpes de faca desferidos pelo copiloto durante o ataque na cabine.

Segundo a autoridade emirati, mesmo gravemente ferido, Machchhar destravou a porta do espaço, permitindo que três passageiros israelenses imobilizassem o agressor até que tripulantes fora de serviço realizassem um pouso de emergência na Arábia Saudita.

Em sua publicação, Gargash também defendeu a vigilância contínua contra ideologias extremistas e alertou para interpretações simplistas sobre o caso.

‘Tragédia semelhante ao 11 de setembro’

Após as declarações de Gargash, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou um pronunciamento em vídeo afirmando que os detalhes do caso estão se tornando “cada vez mais claros”.

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O líder israelense afirmou que tripulantes e passageiros evitaram uma tragédia semelhante aos atentados de 11 de Setembro, alegando que o copiloto passou por um processo de radicalização islâmica com o objetivo explícito de derrubar o avião junto com os passageiros.

Netayahu disse ainda que a investigação conduzida por Israel busca entender se o copiloto cumpria ordens de alguma organização externa, prometendo punição severa a quem estivesse por trás do ataque. Além disso, o premiê reforçou que autoridades israelenses pretendem participar das apurações lideradas pelos Emirados e interrogar o suspeito para analisar suas motivações e histórico.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes não se manifestou de imediato sobre a presença de investigadores israelenses nos interrogatórios. O governo israelense declarou que ainda não sabe se houve alguma ligação do ataque com o Irã e Netanyahu afirmouu que ainda é cedo para conclusões definitivas.

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Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou a possibilidade de envolvimento de Teerã com base em informaçõees recebidas por ele, mas enfatizou que as investigações continuam em andamento.

Apesar da falta de uma conclusão definitiva sobre o caso, a investigação do governo israelense apontava, até quinta-feira, para uma atuação solitária do copiloto.

Vantagens políticas

Uma fonte ligada ao governo emirati, ouvida pela emissora israelense Canal 12, relatou que Israel estaria usando o episódio para obter vantagens políticas, prejudicando a operação da Flydubai e transmitindo a falsa impressão de que os Emirados estariam em guerra.

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“Os emiratis não compreendem a conduta de Israel; a sensação deles é de que a questão está sendo movida pelas eleições, e não pela lógica”, disse a fonte, segundo o Canal 12.

Os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação sobre o caso. Segundo a agência de notícias estatal dos Emirados, a WAM, a investigação busca determinar se o episódio teve relação com alguma “atividade ou tentativa terrorista” e se houve planejamento prévio. O país afirma ter jurisdição sobre o caso porque o avião é registrado nos Emirados e opera sob sua bandeira.

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Entenda o caso

Um voo da companhia aérea Flydubai, que partiu de Dubai com destino a Israel transportando 174 pessoas fez um pouso de emergência na cidade de Tabuk, na Arábia Saudita, após o copiloto esfaquear o comandante da aeronave. O ataque ocorreu na quarta-feira 30, cerca de duas horas e meia após a decolagem.

Segundo a agência de notícias Reuters, o comandante, o indiano Smit Machchhar, conseguiu destravar a porta da cabine mesmo depois de ser gravemente ferido, permitindo que passageiros entrassem e imobilizassem o copiloto. Uma tripulação reserva que viajava no avião conseguiu então conduzir a aeronave até o pouso na Arábia Saudita.

O voo FZ1073 partiu de Dubai com destino a Tel Aviv e mudou de rota enquanto sobrevoava a Jordânia. Segundo o site de monitoramento Flightradar24, a aeronave transmitiu inicialmente um sinal geral de emergência e, minutos depois, outro alerta que indicava uma possível interferência ilícita na aeronave.

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Dados de rastreamento indicam que o avião chegou a perder quase 14.000 pés (mais de 4.000 metros) de altitude em menos de 30 segundos antes de se estabilizar. 

Tanto o copiloto quanto o comandante foram hospitalizados após o pouso, enquanto os passageiros receberam atendimento no terminal do aeroporto, de acordo com as autoridades sauditas. 

Passageiros relataram momentos de pânico durante a briga. Uma mulher que estava a bordo afirmou ao canal israelense i24 que o avião estava “completamente fora de controle”.

“Nós apenas ouvimos gritos. A porta da cabine se abriu e vimos uma enorme quantidade de sangue”, disse a passageira, identificada apenas como Miriam, ao canal. “Houve momentos em que todos nós aqui tínhamos certeza de que não sairíamos vivos”, acrescentou.

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