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Embaixador morto na Líbia apoiou levante contra Kadafi

Christopher Stevens, que faleceu aos 52 anos, assumiu posto na embaixada em maio deste ano. Para o presidente Obama, ele era um 'modelo de diplomata'

O embaixador americano J. Christopher Stevens, morto na noite da última terça-feira após o consulado dos Estados Unidos em Bengasi, na Líbia, ter sido atacado em meio a uma revolta popular contra um vídeo que ofendia a fé muçulmana, serviu como enviado de seu país ante os rebeldes líbios desde as primeiras semanas do levante para derrubar o ditador Muamar Kadafi, em fevereiro de 2011.

Entenda o caso

  1. • A revolta teve início no dia 15 de fevereiro, quando 2.000 pessoas organizaram um protesto em Bengasi, cidade que viria a se tornar reduto da oposição.
  2. • No dia 27 de março, a Otan passa a controlar as operações no país, servindo de apoio às tropas insurgentes no confronto com as forças de segurança do ditador, que está no poder há 42 anos.
  3. • Após conquistar outras cidades estratégicas, de leste a oeste do país, os rebeldes conseguem tomar Trípoli, em 21 de agosto, e, dois dias depois, festejam a invasão ao quartel-general de Kadafi.
  4. • A caçada pelo coronel terminou em 20 de outubro, quando ele foi morto por rebeldes em sua cidade-natal, Sirte. Um mês depois, seu filho e herdeiro político Saif al Islam foi capturado durante tentativa de fuga.

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“Eu me emocionei ao ver o povo líbio levantar e reclamar seus direitos“, afirmou o diplomata na abertura de um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado americano pouco depois de ele ser designado como embaixador no país, em maio de 2012. “Agora estou emocionado por voltar à Líbia e continuar com o grande trabalho que começamos, construindo uma sólida relação entre Estados Unidos e Líbia e ajudando o povo líbio a alcançar seus objetivos”, acrescentou.

Nesta quarta-feira, o presidente americano, Barack Obama, elogiou Stevens durante um pronunciamento oficial e disse que é “triste ele ter morrido em Benghasi, porque é uma cidade que ele ajudou a salvar no auge da rebelião líbia” e que “ele era um modelo de diplomata”.

Mais cedo, Obama descreveu o embaixador como “um corajoso e exemplar representante dos Estados Unidos”, antes de afirmar que “seu legado permanecerá em qualquer parte onde um ser humano lutar por liberdade e justiça”. “Estou profundamente agradecido por seus serviços a minha administração e muito triste por sua perda”, concluiu.

Veja a apresentação do diplomata antes de assumir como embaixador na Líbia:

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Civis líbios ajudam um homem que, segundo testemunhas, seria o diplomata americano J. Christopher Stevens, logo após o ataque em Benghaz Civis líbios ajudam um homem que, segundo testemunhas, seria o diplomata americano J. Christopher Stevens, logo após o ataque em Benghaz

Civis líbios ajudam um homem que, segundo testemunhas, seria o diplomata americano J. Christopher Stevens, logo após o ataque em Benghaz (/)

(Com Agência France-Presse)