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Embaixador da Ucrânia no Brasil denuncia invasão russa

Em artigo, Rostyslav Tronenko faz apelo à comunidade internacional, incluindo o Brasil, para que se oponha à agressão de Moscou ao território ucraniano

Por Rostyslav Tronenko * 28 ago 2014, 21h17

Ontem, dia 27, à noite, a situação no leste da Ucrânia mudou drasticamente. As unidades regulares das Forças Armadas da Federação Russa capturaram a cidade ucraniana de Novoazovsk e várias outras povoações ucranianas. A Rússia passou da guerra escondida para a intervenção armada aberta no território da Ucrânia. Nós consideramos isso um ato petulante de agressão. Mais de 10.000 civis nessas cidades ficaram reféns dos invasores russos. Os cidadãos da Ucrânia sofrem pressão psicológica, ameaças de violência física.

Com estas ações de cinismo, logo após a reunião presidencial em Minsk e na véspera das cúpulas da União Europeia e da Otan, a Rússia demonstra o seu desprezo ao direito internacional, desafiando o mundo democrático e destruindo a ordem mundial. Durante o encontro dos presidentes da Ucrânia, Bielorrúsia, Cazaquistão, Rússia e altos representantes da União Europeia, realizada terça-feira, na capital bielorrussa, o nosso país mostrou a sua disposição para uma resolução pacífica do conflito. Todos os participantes da reunião expressaram o apoio ao Plano Pacífico do presidente Petro Poroshenko como base para os esforços posteriores da redução do conflito. Infelizmente, a Rússia uma vez mais não cumpre os compromissos acordados.

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Como resultado da invasão das unidades regulares do exército russo na Ucrânia criou-se uma nova situação. De fato isso significa um novo passo na implementação da estratégia do Kremlin – cujos elementos integrantes são: a guerra não declarada, a incitação da desordem e do desequilíbrio na Ucrânia, o uso de fraquezas do Ocidente.

Ficou evidente que as tentativas de resolver o problema por meio da persuasão do Kremlin, juntamente com as sanções falharam. O agressor avança sem prestar atenção às perdas econômicas e políticas. Ele entende que as sanções são temporárias, enquanto as zonas de influência conquistadas são uma coisa mais estável.

Considerando isso, o agressor está jogando um longo jogo, entendendo as fraquezas do Ocidente e a difícil situação econômica da Ucrânia. A tarefa é a criação de um novo status quo global, a tarefa máxima é desequilibrar o sistema financeiro e a economia mundial.

Deste jeito a Rússia puxa todo o mundo para uma guerra.

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Agora, a Ucrânia de fato é um campo da guerra entre o Ocidente e o Oriente. Da guerra que o Ocidente está tentando evitar e a Rússia, ao contrário, está tentando incitar. Nesta guerra a Ucrânia está lutando em vez do Ocidente, enquanto o Ocidente ignora a realidade.

A Rússia espera que a UE e a Otan novamente não responderão, limitando-se a expressar preocupação em resposta a uma invasão militar. A Rússia quer mostrar ao mundo que as potências mundiais não são capazes de reagir às suas ações, e declarar a falha dos planos do Ocidente de construir um sistema de segurança eficaz.

A Europa está na frente da escolha não tática, mas estratégica e fundamental. A Europa está à beira de uma grande guerra que, em comparação com os conflitos nos Balcãs e na Chechênia parecerão uma brincadeira. Trata-se de uma potência militar nuclear que ignora os jogadores globais e o direito internacional. O Ocidente e a Europa devem agir agora, se quiserem evitar complicações maiores.

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A Ucrânia tomará todas as medidas para realizar o seu direito inalienável à autodefesa nos termos do artigo 51 da Carta das Nações Unidas.

Apelamos à comunidade democrática internacional, especialmente aos nossos parceiros estratégicos, entre ele o Brasil, a Otan e a União Europeia, para fornecerem ao nosso país uma ajuda eficaz para se opor à agressão russa.

* Rostyslav Tronenko é embaixador da Ucrânia no Brasil

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