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Em visita a Putin, Maduro consegue US$ 6 bilhões da Rússia

Depois de sair da China sem novos investimentos, Maduro extrai da Rússia promessa de recursos para 'fechar o ano com chave de ouro'

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira, 6, em Moscou, a assinatura de vários contratos com a Rússia para investir mais de 6 bilhões de dólares em projetos conjuntos nos setores petrolíferos e auríferos (de produção de ouro). Trata-se de um alívio para as contas de seu governo.

“Estamos bem. Encerramos uma visita extraordinária”, disse Maduro, em um vídeo postado na sua conta do Twitter.

Mais cedo, nesta quinta-feira, o venezuelano comemorou na rede social a primeira vitória de Hugo Chávez nas eleições presidenciais do país, em 1998. Líder da corrente política bolivariana, Chávez foi reeleito em 2006 e governou a Venezuela até o início de 2013, quando morreu. Então vice-presidente, Maduro governou interinamente até ser eleito presidente em abril de 2013.

“Um dia como hoje, a nova história do nosso país começou a ser escrita; um gigante chamado Hugo Chávez, despertou a consciência do povo e derrotou o modelo neoliberal dominante, por mais de 4 décadas”, escreveu ao compartilhar um vídeo que narra alguns dos principais momentos da trajetória do ex-presidente, falecido em 2013.

Pão para o povo

Maduro se reuniu na quarta-feira 5 na capital russa com o presidente Vladimir Putin e afirmou, no vídeo postado no Twitter, que foram assinados acordos “para garantir investimentos de mais de 5 bilhões de dólares para aumentar a produção de petróleo com nossos parceiros russos e empresas mistas”.

Ele acrescentou que foram assinados também acordos com a Rússia sobre o “investimento de mais de 1 bilhão de dólares para a produção em mineração, principalmente em ouro,” e o fornecimento de 600.000 toneladas de trigo “para o pão para o povo venezuelano”.

O ditador venezuelano igualmente firmou com Putin um acordo para a “atenção, assistência, reparação e manutenção de todo o sistema de armas” da Venezuela.

O presidente venezuelano está na Rússia desde a última terça-feira 4. Dias antes, em seus esforços para garantir a sobrevivência do regime bolivariano na Venezuela e reverter a crise econômica que empurrou mais de 3 milhões de cidadãos para o exterior, ele havia se reunido com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em Caracas, e visitado o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim.

De Erdogan, Maduro recebeu a promessa de cobrir a maioria das necessidades dos venezuelanos. Mas não houve menção de cifras. Da China, desta vez saiu-se sem novos aportes de investimentos, mas com uma cobrança forte de reformas na estatal petroleira PDVSA, cujas produção e produtividade vêm caindo acentuadamente nos últimos anos. Os acordos anteriores entre Caracas e Pequim baseavam-se na compra antecipada de petróleo.

Pouco mais de um mês depois de ter sido reeleito em um pleito não reconhecido pelos Estados Unidos, pela União Europeia (UE) e por uma dúzia de países latino-americanos, o governante venezuelano tenta encontrar apoio em aliados com maior interesse nas jazidas de seu país e na contraposição às ações dos Estados Unidos.

Durante encontro em Moscou, Putin ofereceu apoio a seu homólogo. “Apoiamos seus esforços para conseguir a paz social e todas suas ações visando a harmonizar as relações com a oposição”, declarou o russo na residência oficial de Novo Ogarevo, perto Moscou.

“E, naturalmente, condenamos todas as ações de caráter evidentemente terrorista, todas as tentativas de derrubar a situação com ajuda da força”, afirmou, em uma referência indireta às pretensões do governo americano em intervir militarmente na Venezuela.

Sanções do ‘império’

Os Estados Unidos aplicam sanções a Caracas desde 2014, alegando que o governo de Maduro é uma “ditadura” que viola os direitos humanos e que gerou uma crise humanitária sem precedentes. O país não descartar a intervenção militar.

Maduro, no entanto, insistiu em Moscou que, apesar de a Venezuela ter sido “submetida a todos os tipos de agressões, ameaças, estamos de pé e ganhando”. Para ele, este é “um processo de aprendizado”.

A Venezuela atravessa uma profunda crise econômica, refletida na escassez de alimentos e remédios e em uma inflação que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), chegará a 1.350.000% neste ano e a 10.000.000% em 2019.

A crise forçou cerca de 3 milhões de venezuelanos a emigrar desde 2015, constituindo, segundo a ONU, o movimento de população mais expressivo da história recente da América Latina.

Na segunda-feira 3, Maduro anunciou que estava viajando a Moscou para “uma visita de trabalho necessária” para “fechar o ano de 2018 com chave de ouro quanto às relações estratégicas que a Venezuela constrói com o mundo”.

(Com EFE e AFP)