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Em vídeo, opositor pede que manifestantes continuem nas ruas contra Maduro

Acusado de incitação ao crime, Leopoldo López foi detido na terça-feira

Por Da Redação - 19 fev 2014, 17h49

Em uma mensagem em vídeo gravada antes de se entregar à polícia, nesta terça-feira, o opositor Leopoldo López pede que as pessoas continuem nas ruas, contra o governo. Acusado de terrorismo e incitação à violência, depois dos protestos do último dia 12, que terminaram com três mortes, López foi detido depois de comandar uma marcha contra Nicolás Maduro. Nesta quarta, a justiça deverá decidir se ele permanecerá em prisão preventiva. Entre outras acusações, ele poderá responder por terrorismo e incitação ao crime.

“Se estão vendo este vídeo é porque já foi executado mais um abuso por parte do governo, cheio de mentira, de falsidade, de fatos distorcidos e de manipulação da realidade que nós venezuelanos estamos vivendo”, diz López no vídeo, em que aparece sentado ao lado da mulher, Lilian Tintori.

Ao longo de mais de oito minutos de gravação, o opositor também mandou uma mensagem direta para os jovens, dizendo que “a saída para estes desastres a que estamos submetidos está em suas mãos”. Ao longo de mais de oito minutos de gravação, o opositor também mandou uma mensagem direta para os jovens, dizendo que “a saída para estes desastres a que estamos submetidos está em suas mãos”. E fez um chamado: “Os convido a lutar, a manter a força, a ação e a organização. Somos milhões e vamos conseguir mudar. Depende de todos nós”. (Continue lendo o texto)

https://youtube.com/watch?v=QmxsCtrKYPg%3Frel%3D0

Ao lado da deputada María Corina Machado e do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, López encabeça uma ala da oposição que defende a luta contra o governo nas ruas. Outra liderança opositora, o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, mesmo apoiando os colegas, defende caminhos eleitorais para enfrentar o oficialismo. Na disputa com Maduro, em abril do ano passado, Capriles perdeu por uma margem irrisória de votos e denunciou irregularidades, sem conseguir reverter o resultado, em um país onde as instituições são subjugadas ao chavismo.

Agora os holofotes estão todos com López, que foi o homem mais procurado da Venezuela nos últimos dias. Em discurso a manifestantes pró-governo na terça, Maduro tentou capitalizar a prisão de López mirando mais uma vez o inimigo externo, os Estados Unidos. Disse que “a ultradireita de Miami e da Venezuela, diante da ordem de prisão, mobilizou grupos para capturar Leopoldo López e matá-lo, criando uma situação política que levaria a uma guerra civil”. Sem, obviamente dar detalhes ou apresentar provas de suas alegações, o mandatário considerou que o governo “salvou a vida” do opositor.

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O herdeiro político de Chávez disse ainda que o chefe da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que também é vice-presidente do partido governista PSUV, negociou a prisão de López com a família do opositor. Maduro ressaltou ainda que López “terá que responder perante a promotoria, perante os tribunais, perante as leis da República seus chamados aos motins”.

Estados Unidos – O presidente venezuelano já havia ordenado a expulsão de três funcionários consulares dos Estados Unidos, acusando-os de conspiração contra seu governo. A Casa Branca, é claro, diz que as acusações são falsas e considera a medida um exemplo da “falta de seriedade” da administração chavista diante da “grave situação” que vive o país. “Estamos acostumados com o governo venezuelano tentando distrair a atenção da opinião pública sobre suas próprias ações responsabilizando os Estados Unidos e outros membros da comunidade internacional sobre o que ocorre dentro do seu país”, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, na terça.

O porta-voz pediu ainda que o governo venezuelano “trabalhe para atender às queixas de seu povo através de um diálogo real e sincero”, segundo declarações publicadas pelo jornal espanhol El País. Apesar dos constantes atritos entre Washington e Caracas, os Estados Unidos continuam sendo o principal importador de petróleo da Venezuela.

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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que também tem rusgas com Maduro, fez um chamado à calma no país vizinho e pediu que canais de comunicação entre as diferentes forças políticas sejam estabelecidos “para garantir a estabilidade e o respeito às instituições e às liberdades fundamentais”. Maduro reagiu furiosamente, dizendo que “os problemas dos venezuelanos são resolvidos pelos venezuelanos”.

https://youtube.com/watch?v=Vuj5GnAxzUk%3Frel%3D0

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