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Em tom agressivo, Trump diz que EUA correm perigo com Joe Biden

Presidente atacou democratas e afirmou que seu adversário nas eleições é 'fraco'; discurso na Casa Branca reuniu 1.500 pessoas

Por Julia Braun Atualizado em 28 ago 2020, 10h25 - Publicado em 28 ago 2020, 09h56

Com um dos seus mais agressivos discursos até o momento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou formalmente a nomeação como candidato do Partido Republicano à reeleição na noite desta quinta-feira 27. Entre autoelogios sobre a performance de seu governo na economia e na batalha contra a pandemia de coronavírus, o magnata previu um futuro apocalíptico para o país caso seu adversário democrata, Joe Biden, seja escolhido para comandar a Casa Branca.

“Esta eleição decidirá se salvamos o sonho americano ou se permitimos que uma agenda socialista derrube nosso precioso destino”, disse o presidente, em um discurso transmitido de um imponente palanque montado nos jardins da Casa Branca. “Biden é fraco”, apontou, afirmando ainda que se adversário “não é o salvador da alma dos Estados Unidos” e “será o destruidor da grandeza americana” se tiver a oportunidade.

O discurso de Trump, que se estendeu por mais de uma hora, encerrou o último dia da Convenção Nacional do Partido Republicano. O presidente reuniu por volta de 1.500 pessoas na Casa Branca para acompanhar o pronunciamento, que também foi transmitido pelas redes sociais e televisões de todo o país.

Com um viés demagógico, Trump afirmou ainda que os democratas vêem os Estados Unidos como um país “depravado” e “perverso” que deve ser punido por seus “pecados”. O presidente afirmou que passou os últimos quatro anos “revertendo os danos que Biden causou ao país nos últimos 47 anos”. O democrata serviu como senador por seis mandatos e foi vice de Barack Obama entre 2009 a 2017.

“Biden diz que é um aliado da luz, mas sua agenda nos deixa completamente no escuro. Ele não tem a menor ideia”, completou o presidente, acrescentando que a agenda do democrata “é conjunto de propostas mais extremistas já apresentado por um candidato”.

A segunda indicação do magnata republicano, de 74 anos, acontece em um cenário de crise de saúde, econômica e social sem precedentes, com quase 180.000 mortes provocadas pela Covid-19, taxa de 10,2% de desemprego e grandes manifestações contra o racismo e a brutalidade policial. Um total de 58,2% dos americanos não aprovam a gestão de Trump na pandemia, de acordo com o site FiveThirtyEight.com.

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Mesmo em desvantagem nas pesquisas, o republicano se apresentou como o único líder capaz de velar pelos americanos. “Produziremos uma vacina até o fim do ano, talvez antes”, disse. “Derrotaremos o vírus, acabaremos com a pandemia e sairemos mais fortes do que nunca”.

Trump ainda dedicou parte de seu discurso para elogiar a campanha do seu governo contra a pandemia e a resposta à crise econômica instalada pelo vírus. Em tom de prestação de contas sobre o primeiro mandato, o presidente defendeu que o país tenha aumentado a oferta de empregos ao rever acordos e ao enfrentar a concorrência com a China

Ainda segundo o republicano, os democratas são incompetentes para enfrentar os desafios do jogo geopolítico e econômico. Trump disse que a China será “dona” dos Estados Unidos se Biden for eleito.

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  • Multidão durante a pandemia

    A pandemia impôs um desafio às convenções partidárias realizadas a cada quatro anos para formalizar os candidatos à Presidência, e os partidos optaram por realizar a maior parte do evento à distância, com transmissões pela internet.

    Na semana passada, o Partido Democrata realizou quatro noites de espetáculo inteiramente digital, sem plateia. Além de atrair a atenção do país aos concorrentes, as convenções tradicionalmente reúnem dezenas de milhares de pessoas, com atos imaginados para apresentar novas lideranças, inspirar as bases e – no mundo ideal – conquistar indecisos e setores independentes. Para isso, os partidos não abrem mão de chuvas de confete, luzes, shows e verdadeiros animadores de torcida todos os anos. Porém, sem qualquer plateia ou interação com eleitores, os democratas tiveram que se desdobrar para mobilizar seu eleitorado.

    O Partido Republicano, porém, optou por um modelo híbrido de convenção, apesar da preocupação da comunidade médica com a propagação da Covid-19. Alguns dos discursos foram transmitidos de um centro de convenção em Charlotte, na Carolina do Norte, com a presença de eleitores e delegados.

    Donald Trump e a primeira-dama Melania, porém, discursaram da Casa Branca. O discurso do presidente foi assistido por ao menos 1.500 pessoas, que acompanharam suas palavras sentadas em cadeiras posicionadas próximas uma das outras, sem respeitar o distanciamento social.

    Na política americana os candidatos à Presidência costumam seguir algumas regras não escritas para manter a corrida justa. Um desses compromisso é o de que concorrentes não devem usar as prerrogativas e o status dos cargos públicos que ocupam para fins eleitorais. Trump, porém, vem quebrando essa regra durante seu primeiro mandato. Além dos discursos nos jardins da Casa Branca, o republicano usou peças eleitorais gravadas durante assinaturas de memorandos e naturalização de imigrantes para promover seu trabalho.

    Manifestações

    Centenas de apoiadores do movimento Black Lives Matter se reuniram em frente à Casa Branca nesta quinta-feira horas antes do discurso do presidente. Houve tensões entre ativistas anti-Trump e um grupo menor de apoiadores do presidente, segundo o jornal The Washington Post.

    Os protestos contra a violência policial começaram em maio, após o assassinato do afro-americano George Floyd pela polícia. Nesta semana, os atos antirracismo ganharam novos contornos depois que Jacob Blake, um homem negro morador do estado de Wisconsin, foi baleado pelas costas por um policial branco. Um adolescente branco de 17 anos foi preso suspeito de matar dois ativistas durante um protesto contra o ocorrido.

    Nesta quinta, o presidente disse que fez muito mais por pessoas negras do que Biden — que tem o apoio de cerca de 80% desse eleitorado no país — mas não se pronunciou diretamente sobre o caso Blake. Trump também atacou os democratas por defenderem o que acredita serem atos violentos contra o racismo.

    “Há mais violência e perigo nas ruas de várias cidades governadas por democratas nos Estados Unidos. Esse problema poderia ser facilmente resolvido se quisessem”, disse.

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