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Em meio a protestos, Senado argentino aprova lei de terras de Milei em versão desidratada

Após ampla rejeição da população, cláusula sobre o uso de áreas queimadas por incêndios foi retirada do texto sobre 'inviolabilidade da propriedade privada'

Por Luiza Zubelli 7 ago 2026, 15h52
Em meio a protestos, Senado argentino aprova lei de terras de Milei em versão desidratada Priorizar nos meus resultados Google

Pressionado por protestos turbulentos em ao menos dez cidades do país, incluindo a capital de Buenos Aires, o Senado argentino aprovou nesta sexta-feira, 7, uma versão adaptada do projeto de lei sobre a inviolabilidade da propriedade privada. A proposta, aprovada com 37 votos a favor e 33 contra, segue agora para discussão na Câmara dos Deputados

Segundo o governo argentino, a proposta busca eliminar restrições que limitam o direito à propriedade e fortalecer a segurança jurídica para atrair investimentos.

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Itens retirados

Nos últimos minutos da sessão, que levou quase 13 horas, os políticos retiraram do texto um dos capítulos mais criticados por ambientalistas. A cláusula se referia ao uso de terras queimadas por incêndios em áreas rurais, assim como a venda ou divisão das partes atingidas pelas chamas. 

Outro, que reduzia as restrições à compra de terrenos por estrangeiros e empresas privadas, já tinha sido excluído do documento pelo partido governista às vésperas do debate, na quinta-feira.  

Lei de Gestão de Incêndios

A iniciativa do governo tentou eliminar a intervenção da Lei de Gestão de Incêndios na compra e venda de propriedades. Entre as medidas que o partido governista quis revogar, está a proibição de 60 anos para a mudança de uso da terra após queimadas em áreas florestais, áreas naturais protegidas e zonas úmidas.

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Além disso, também buscou extinguir o impedimento de 30 anos para a realização de projetos imobiliários e atividades agrícolas após incêndios em áreas de vegetação fora dos limites urbanos.

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Mudanças em outras leis

Com a rejeição de ambos os capítulos, o governo não conseguiu avançar nos aspectos mais criticados pela sociedade. No entanto, a proposta aprovada pelo Senado envolve temas sensíveis, com impacto social e econômico.

Uma das cláusulas já aprovadas procura limitar a capacidade do Estado de expropriar propriedades. Outra prevê alterações no regime de despejo de imóveis em casos de usurpação ou ocupação ilegal, que passariam ​​por julgamento sumário, um processo mais acelerado do que o atual.

A iniciativa também estabelece que a parte expropriada receba compensação integral pelo valor de sua propriedade, tomando como referência a avaliação anterior ao anúncio da expropriação. 

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Protestos contra o projeto de lei

As manifestações começaram na quinta-feira, 6, em frente ao Congresso Nacional argentino, com o objetivo de expressar a ampla rejeição pública ao capítulo sobre a venda de terras a estrangeiros. Sob o lema “a pátria não está à venda”, o protesto reuniu grupos sociais, trabalhistas, políticos e estudantis, além de cidadãos independentes.

A tensão entre a polícia e os manifestantes levou ao uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água. Até esta manhã, 12 pessoas tinham sido presas e pelo menos 5 haviam ficado feridas.

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Além da manifestação na capital argentina, diversas mobilizações ocorreram em outras cidades do país.

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