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Em meio a protestos, Papa Bento XVI chega à Alemanha

Pontífice diz que entende manifestações contra sua viagem; mais de 100 deputados boicotarão seu discurso no Parlamento federal nesta quinta-feira

O papa Bento XVI aterrissou nesta quinta-feira no aeroporto de Berlim para iniciar sua primeira visita de estado à Alemanha, em viagem que ficará marcada por protestos.

Às 10h30 locais (5h30 de Brasília), Bento XVI foi recebido ainda na pista do aeroporto pelo presidente da Alemanha, Christian Wulff, e pela chanceler do país, Angela Merkel. Pouco após sua chegada, o Pontífice será recebido com honras de chefe de estado no Palácio de Bellevue por Wulff, com quem celebrará a primeira reunião de sua viagem de quatro dias à Alemanha.

Protestos – A visita do papa será marcada por protestos. Em um deles, um grupo de parlamentares críticos a sua visita não presenciará seu discurso no Bundestag (Parlamento alemão).

O papa Bento XVI disse nesta quinta-feira, no avião que o leva a Berlim, que a pedofilia é um “crime” e afirmou ainda que entende os protestos contra sua visita à Alemanha. Bento XVI disse que é “lógico que as pessoas se sintam escandalizadas” pelos abusos sexuais por parte de clérigos contra menores, e prometeu que a Igreja trabalhará contra este escândalo. O Pontífice também afirmou que é “normal” que em uma sociedade livre, neste tempo de secularização, haja pessoas que se manifestem contra sua presença.

No tradicional encontro com os jornalistas que o acompanham no avião, o papa foi questionado sobre os casos de padres pedófilos na Alemanha e se estes escândalos provocaram um aumento do abandono da Igreja por parte dos fiéis. Na reposta, Bento XVI ressaltou que o abandono da Igreja tem múltiplas causas, sobretudo nesta época de secularização. O Pontífice acrescentou que a Igreja é uma coisa mais profunda e diferente de qualquer associação humana e que é preciso renová-la e aprender a trabalhar desde seu interior contra esses “escândalos”.

Sobre as manifestações contra sua visita, Bento XVI respondeu que “é algo normal, que em uma sociedade livre e em um tempo secularizado as pessoas podem se expressar contra a visita do papa”. Ainda assim, Bento XVI disse que irá “com muita alegria à minha Alemanha para levar Cristo à minha terra”, exclamou. O papa acrescentou que o encontro ecumênico que acontecerá amanhã em Erfurt é o “ponto central” de sua viagem, já que os cristãos têm a missão de apresentar a mensagem de Cristo ao mundo. “Os católicos e protestantes devem trabalhar juntos. É um elemento fundamental de nosso tempo secularizado”, disse.

(com Agência EFE)