Em meio a crise econômica profunda, Cuba aceita discutir construção da ‘Ilha Trump’
Após resistir à aproximação comercial com os EUA por meio século, Havana começa a se abrir para investimentos estrangeiros
Pressionado pela pior crise de sua história recente, o governo de Cuba tem se mexido para abrir a economia à iniciativa privada. Entre uma de suas mais recentes tentativas de atrair investimento estrangeiro, Havana aceitou discutir a construção de um complexo turístico de luxo com a marca do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo informações reveladas nesta quinta-feira, 6, pelo jornal árabe The National.
A iniciativa prevê a transformação de um trecho da costa norte da nação caribenha na “Ilha Trump” (ou Trump Island), que abrigaria um resort de luxo. O projeto na ilha de Cayo Santa María, capitaneado pelo investidor árabe Ali Bin Haidar, representaria uma mudança drástica de postura para o regime cubano, que resistiu por mais de meio século a qualquer aproximação com o capitalismo americano.
Haidar, presidente do Grupo Abdulla Ali bin Haidar, revelou, em entrevista ao The National que uma carta de intenções para a aquisição do terreno já foi assinada pelas autoridades cubanas.
“Conversamos com o escritório de Trump e eles se mostraram receptivos”, acrescentou o empresário. A proposta, porém, ainda não tem uma aprovação formal ou um acordo finalizado por parte dos Estados Unidos.
Caso o projeto seja confirmado, o início das obras está previsto para o final deste ano. De acordo com Haidar, a construção contaria com engenheiros e trabalhadores cubanos sob a supervisão de especialistas estrangeiros.
Abertura ao mercado estrangeiro
O governo cubano demonstrou receptividade incomum à proposta. Em entrevista ao veículo de comunicação árabe, o vice-ministro das Relações Exteriores Carlos Fernández de Cossío declarou que o país está disposto a colaborar e não vê motivos para excluir investimentos ligados a Trump, desde que os negócios respeitem as leis locais.
Segundo o diplomata, o verdadeiro obstáculo para aportes do republicano são as restrições impostas pelas próprias sanções econômicas dos Estados Unidos, e não barreiras impostas por Havana.
A nova postura do regime comunista reflete o desespero diante de uma crise humanitária e econômica sem precedentes, agravada pelo bloqueio, imposto em janeiro pelo presidente Trump, das importações de petróleo. A falta de combustível deu novo impulso ao colapso de serviços essenciais, como a rede elétrica (no início do mês, o país registrou o sexto apagão nacional neste ano), o transporte e o abastecimento de comida. O turismo, motor econômico da ilha, registrou uma baixa histórica, com apenas 30.883 visitantes internacionais de janeiro a maio deste ano.
Impacto das sanções econômicas
Para tentar reverter o isolamento provocado pela saída recente de grandes multinacionais (como Visa, Mastercard, a mineradora Sherritt e as redes hoteleiras Meliá e Iberostar), autoridades cubanas vêm apelando diretamente a empresários americanos para investirem em múltiplos setores, desde a mineração e finanças até o mercado imobiliário.
“Existem diferenças entre nossos governos que não devem impedir a comunidade empresarial de participar da economia cubana”, ressaltou Carlos Luis Jorge Méndez, vice-ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba ao The National.







