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Em marco histórico, Síria começa a destruir armas químicas do regime Bashar al-Assad

Embaixador sírio da ONU celebra 'libertação' da antiga ditadura, que chegou a usar os armamentos contra a própria população durante guerra civil

Por Luiza Zubelli 3 set 2026, 19h11
Em marco histórico, Síria começa a destruir armas químicas do regime Bashar al-Assad Priorize VEJA no Google

A Síria deu início à destruição de equipamentos relacionados ao seu antigo programa de armas químicas, conforme anunciado nesta quinta-feira, 3, por seu representante permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A iniciativa ocorre quase dois anos após a queda do ditador Bashar al-Assad.

O embaixador da Síria nas Nações Unidas, Ibrahim Olabi, classificou a operação como um “momento histórico”, marcando a primeira destruição de armas químicas desde a “libertação do antigo regime”.

Olabi enfatizou a importância de “proteger o povo sírio para que essas armas não caiam em mãos erradas”, afirmando que cada local protegido pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) contribui para a segurança regional e global.

A Alta Representante das Nações Unidas para o Desarmamento, Izumi Nakamitsu, confirmou que uma equipe da organização verificou no mês passado a destruição irreversível de 42 bombas aéreas na Síria. “Este avanço significativo marca a primeira vez desde 2014 que a Opaq verificou a destruição de munições químicas na República Árabe Síria”, destacou Nakamitsu.

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No Conselho de Segurança, os Estados Unidos reiteraram a importância das novas autoridades sírias manterem a cooperação com a Opaq. A embaixadora americana adjunta, Tammy Bruce, ressaltou que “esta é também uma forma de honrar a memória dos homens, mulheres e crianças sírios que perderam a vida”, apelando por uma Síria e um mundo livres de armas químicas.

China e Rússia também comemoraram os progressos de Damasco na destruição do arsenal. Assad fugiu para Moscou em dezembro de 2024, antes que Damasco caísse nas mãos das novas autoridades.

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Histórico com armas químicas

A questão das armas químicas na Síria está intrinsecamente ligada a um dos períodos mais sombrios da guerra civil no país. Em 21 de agosto de 2013, um devastador ataque químico em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, atribuído ao governo sírio – que sempre negou envolvimento – causou a morte de mais de 1.400 pessoas. As imagens chocantes das vítimas, incluindo muitas crianças, repercutiram globalmente.

Pressionado por Washington e Moscou, Damasco aderiu à Opaq e concordou em declarar e entregar seus arsenais para destruição. No entanto, inspetores internacionais constataram que o regime de Assad nunca revelou completamente seu programa e repetidamente obstruiu as investigações.

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Em 2021, a Opaq chegou a privar a Síria de seu direito a voto, após concluir que a força aérea síria havia usado gás sarin e cloro contra sua própria população.

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Desde a queda de Assad, no fim de 2024, as novas autoridades sírias se comprometeram com a Opaq para avançar na destruição das armas químicas. Essa cooperação permitiu que inspetores da organização estabelecessem uma presença permanente no país para documentar locais suspeitos, garantir a segurança dos arsenais restantes e coletar depoimentos sobre os ataques durante os 13 anos de guerra.

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